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Estado e Capital Sucateando a Educação

12 de Abril de 2016, 22:17 , por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Maquina-do-capitalCom muito suor conquistamos nossos direitos básicos, mas basta uma crise econômica para anos de lutas irem embora. O problema é que a cada dia mais tudo gira em torno do dinheiro, e nesta guerra do direito e da qualidade de vida dos trabalhadores contra o lucro dos banqueiros, das indústrias e dos empresários, a corda geralmente arrebenta do lado mais fraco (o nosso, é claro!).

De tempos em tempos, entramos numa crise econômica. Nestas horas, o “sagrado” lucro dos patrões e a arrecadação dos governos (independente do partido) ficam comprometidos. Para não se afundarem em perdas e dívidas, eles precisam tirar dinheiro de algum lugar para tapar o rombo gerado pela crise. No entanto, governantes e empresários jamais mexerão em seus negócios, nas suas maracutaias ou reduzirão os seus salários. A primeira atitude é então fazer a política da tesoura: é corte para tudo quanto é lado, menos para o lado deles!

Tá pensando que 2016 será fácil? Pois ponham os capacetes que é vem pedrada! Reparem que o ano passado já começou voando pedregulho: o anúncio da redução de direitos históricos como a pensão por morte, auxílio-doença, seguro desemprego se soma a tantos outros “ajustes” já realizados. E no Estado ainda há aqueles que agitam a aprovação do projeto de lei da terceirização, que dá às empresas o poder de contratar e de demitir trabalhadores com mais "flexibilidade", sem tantas justificativas. Este ano a história não será nada diferente!

Vanda7

Os cortes públicos beiram 70 bilhões de reais. Se nossos direitos já estavam de mal a pior, com estes cortes, a greve geral é urgente. Os cortes da educação chegam a 11 bilhões anuais. As universidades estão demitindo trabalhadores, cortando bolsas de estudo para estudantes, devendo contas de água, energia, ou seja, está mal, muito mal das pernas. Por que não cobrar impostos maiores de grandes fortunas ou taxar banqueiros para cobrir os rombos da crise? É muito possível, outros países já fazem isto! Mas o que o governo faz é cortar os gastos com a educação e saúde, cortar o salário, congelar os aumentos e ainda deteriorar os direitos sociais de trabalhadores.

Vimos ano passado que as greves nas universidades públicas tiveram tudo a ver com o que acontece fora delas. Entre os setores da universidade, o mais explorado é o terceirizado: a gente sabe como estes contratos são frágeis. Os trabalhadores das universidades ficam meses com salários atrasados, férias atropeladas, insegurança no contrato de trabalho e, nos momentos da crise, são os terceirizados os primeiros a serem demitidos. Se fizerem greve então, as demissões passam a ser cada vez mais violentas!

É alarmante também o número de desistências de estudantes nos mais diversos cursos. Não se estuda sem comprar livros, tirar xerox, pegar ônibus. Ser estudante é também ralar muito, mas com os cortes da assistência estudantil, das bolsas, da falta de creches ou até mesmo com a falta de grana do transporte, muita gente acaba deixando de estudar. Quem é da correria sabe: estudar não dá para ser em tempo integral, a gente tem que correr atrás e conciliar estudo e trabalho na corda bamba. É assim que vive o estudante nessa universidade ainda “pública”. Nas faculdades particulares a situação não é tão diferente, já que muitos estudantes pobres, por não conseguirem passar no processo extremamente excludente do vestibular público, acabam fazendo das tripas coração para ocupar a universidade.

Não podemos esquecer também que a condição de estudante universitário, seja em instituições públicas ou particulares, é

caracterizada por um regime de produção acadêmica em ritmo de fábrica, onde o controle autoritário por parte da maioria dos professores é justificado pelo discurso do “estar preparando o aluno para o mercado de trabalho pós-formatura”. E esta
grande pressão sofrida pelos estudantes é acompanhada de uma extrema carência de estrutura para a qualidade do trabalho. Faltam equipamentos, salas, laboratórios, materiais, muitas vezes faltam até mesas ou cadeiras para se sentar! Logo, sem auxílio, sem recurso e sem estrutura para o estudante, a saída, infelizmente, se torna apenas trabalhar para garantir o pão na mesa e abandonar os estudos.

Diante de todas essas dificuldades, o sistema impõe ano após anoVanda6 o curso superior como exigência trabalhista. Atualmente, a maioria dos empregos já exige uma formação acadêmica. E aí a coisa aperta: o Estado não nos deixa estudar, pois cortam todos os nossos auxílios e direitos, mas depois permite que patrões exijam ensino superior nas contratações. Nesta brincadeira de mau gosto, quem fica de fora? O que sabemos é que aqueles que já nasceram com boas condições terão uma vida universitária mais confortável e ocuparão os melhores empregos no mercado de trabalho, e quem não nasceu em berço de ouro que se vire!

Tudo que há de desigual e injusto em nossa vida cotidiana também está impregnado nas estruturas das universidades: a exploração dos trabalhadores, dos estudantes, a péssima condição de trabalho, o autoritarismo, a exclusão dos mais pobres, a politicagem e a falta de democracia na administração das universidades. Devemos então apoiar a luta dos professores, estudantes e terceirizados para garantir não apenas uma universidade “pública, gratuita e de qualidade”, mas também uma universidade justa, que permita o acesso e a garantia de todos de decidirem os rumos da própria instituição a qual fazem parte. Talvez assim possamos um dia garantir que a universidade passe a produzir um conhecimento mais útil para a criação de uma sociedade mais justa, livre e solidária.


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