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Rio dos Macacos

Confira as fotos da visita do Café Preto ao quilombo!

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24 de Fevereiro de 2015, 21:17 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

#HOMOFOBIA: Lésbicas, gays e trans quando morrem, não viram purpurina, é chacina!

mais de 1 ano, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

 

Homofobia

 

Às vezes, quando cinquenta pessoas são assassinadas - de uma só vez - com a justificativa do ódio à diversidade afetiva e sexual, o banheiro da boate parece ser o lugar mais seguro para se esconder das violências cotidianas, do ódio que espanca, empala e castra, da expulsão dos lares, das escolas, dos empregos e das famílias.  Somos pais, mães, filhos, filhas, irmãos, companheiros e companheiras; somos pessoas que existimos fora da TV e dos vídeos aparentemente engraçados na internet. Existimos nos metrôs, nos ônibus, nos carros, nas bicicletas, nos barcos, nas canoas, nos aviões, nos ventres das mães, nos álbuns de família, nos lares, nos trabalhos e nas festas.

Porém, a grande verdade, convenhamos, é que muitas vezes existimos fud(g)idos nos metrôs, nos ônibus e em todos esses lugares e uma agressão sem tamanho como a que aconteceu nos Estados Unidos deve nos fazer pensar que o lugar lugar das lésbicas, dos gays, dos e das trans é ao lado das mulheres e dos negros: nessas mesmas ruas e rios lutando por uma vida de respeito e direitos!

Lésbicas, gays, trans, mulheres e negros, quando morrem, vira luta!

Nós-por-nós! Não esqueceremos nenhuma chacina, do Cabula a Orlando... 

 

*Texto enviado por um leitor do Café Preto, diretamente do Pará.



#‎RIOVERMELHO‬

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

A Prefeitura de Salvador organizou na última sexta-feira (03/06/2016) uma grande operação de fiscalização, o famoso RAPA, no Rio Vermelho, território de lazer tradicionalmente utilizado pela população soteropolitana. Após a reforma na área boêmia do bairro, gente rica e gente pobre aparentemente ainda se misturam no local.

Nós, do Café Preto, cafeinados nas tretas do sistema, conversávamos sobre como era claro que gente rica sentava às mesas dos grandes bares e gente pobre ficava de pé ou na balaustrada consumindo nos vendedores ambulantes em seus isopores. A importância dos ambulantes na inclusão da classe precarizada da cidade nos espaços de lazer da tal "requalificação urbana" era inegável. Cobrando valores bem mais baratos, quem vive apertado na correria do dia a dia consegue ao menos chegar e tomar a sua cerveja (a velha e boa 3 por 5). Com agentes à paisana, de forma truculenta e agressiva, o Rapa agrediu pessoas e apreendeu materiais dos ambulantes, conseguindo encher a carroceria inteira de um caminhão. 

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Carrinhos de pipoca, de pastel, beijú, isopores de bebidas, tudo jogado e amontoado sem o mínimo cuidado com os bens apreendidos... Um senhor de idade chegou a resistir, mas foi violentamente arrastado pela fiscalização até a viatura da polícia militar. Com a retirada dos ambulantes, ficou nítido o esvaziamento do local. Quem tem dinheiro fica, quem não tem, sai. Branco fica, preto sai. A Prefeitura demonstrando mais uma vez que a sua requalificação urbana é sim uma política racista e injusta de "higienização". Em uma conversa com uma ambulante que chegava com seus dois filhos pequenos para trabalhar e tirar o seu sustento exatamente à meia noite, ela nos disse: "o cerco está fechando para nós ambulantes... aluguei o meu barraco no Calabar pra uma família que nem conhecia, mas foi pra eles morarem junto com a gente. São sete pessoas nesse espaço aqui ó [enquanto demonstrava com as mãos a parca dimensão de sua moradia]. Tive que fazer isto pra comprar esse carrinho de pastel. Se eu perco isso, cabou a vida DOS MEUS MENINOS!". O Café Preto repudia a ação e continuará, como sempre, visibilizando a luta dessa gente guerreira e trabalhadora! Relembre nossa matéria sobre os ambulantes da Lapa após a privatização do terminal de ônibus:

https://www.youtube.com/watch?v=I8tN_mJLU0k

 

 

 



Quilombolas em Luta!

mais de 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Veja como essa matéria saiu na versão impressa aqui no PDF


 Quilombolas em Luta!
Autogestão e Resistência no Recôncavo Bahiano

Nesse nosso mundão nos deparamos todos os dias com uma diversidade de situações, de paisagens, de ideias e ações. No entanto, você já percebeu quantos obstáculos encontramos quando queremos discutir os problemas existentes no interior do nosso modo de vida?

Tentam nos convencer de que as roupas que vestimos, os sabores que consumimos e as relações que estabelecemos só seriam aceitáveis se estiverem de acordo com a forma "autorizada" pelo capitalismo. Mais uma forma de controle no seu projeto histórico de transformação de todo e qualquer atributo da vida em mercadoria, mera etiqueta de boutique.

Na contramão dessa prisão cotidiana, há comunidades e grupos tradicionais que se colocam no presente enquanto resistências e impedem o domínio supremo de um modo de vida pré-formatado através do resgate à sua ancestralidade e às relações sociais de outros tempos. Esta luta se realiza em diversas frentes e de forma cotidiana. Expressa um outro contato com a natureza e entre homens e mulheres. Representa a autodeterminação do como queremos, podemos e lutamos para ser e atender nossas necessidades, através do resgate de valores silenciados ao longo da historia.
Nesta edição reservamos este espaço para dialogar, conhecer e valorizar as práticas e saberes das Comunidades Quilombolas existentes no Recôncavo baiano. Comunidades marcadas por uma trajetória de luta contra os grandes proprietários fundiários, empreendimentos, bem como contra o próprio Estado.

Ainda assim, estas comunidades reafirmam seus saberes e apontam novas trilhas por onde podemos fortalecer novas caminhadas através da ajuda-mútua, da solidariedade e articulação. Na 7º edição da Festa da Ostra, o Café-Preto marcou presença na comunidade quilombola do Kaonge, pra saber, e aí, Colé de Merma?

 


 

AnaniasCafé Preto: Sobre a Festa da Ostra, vocês podem nos contar um pouco do histórico, o porque do surgimento e os objetivos?

Ananias Viana: A festa da Ostra foi uma invenção que veio pra continuar aquilo que os nossos ancestrais deixaram pra gente. Quando começamos a criar ostra, em cativeiro, veio um problema. E agora? A gente tá produzindo, mas vai vender aonde? A gente não tem comércio, como é que vai vender, vai ficar assim? Vai desestimular a criação de ostra? Aí veio uma discussão, a única coisa, pensamos, é a gente fazer um evento e colocar o nome de Ostra, Festa da Ostra. De início era feito na semana santa, porque todos os filhos das pessoas das comunidades que estão em outros estados vêm visitar suas famílias. Aí a gente disse, vamos fazer o evento dentro das Comunidades Quilombolas do Vale do Iguape, vamos dar visibilidade.

Jorlane: É um projeto bom, não é montado. É um projeto que visibiliza a coletividade na comunidade e a renda.

Jucilene: A importância está na divulgação dos nossos produtos, para que as pessoas conheçam o potencial produtivo das nossas comunidades.

Café Preto: Existe uma integração entre os núcleos produtivos para potencializar a visibilidade?

Jucilene: Sim, o núcleo de Turismo de Base Comunitária, por exemplo, consegue agregar todos os núcleos de produções dentro dos seus roteiros, como a apicultura, o artesanato, o azeite de dendê... Mesmo com todas as nossas problemáticas, tentamos encontrar as soluções para que os moradores não saiam das suas comunidades, que a gente consiga resistir aqui.


Rota da Liberdade
Rota da Liberdade

Café Preto: Existe todo um desenvolvimento que tem origem no saber ancestral, tradicional...

Ananias Viana: Sim, os quilombos existem diretamente nas margens dos manguezais, dentro das matas ou nas margens dos rios. Porque no rio tem os peixes, na mata tem a caça, e nos manguezais tem os mariscos e moluscos, aí eles (acenstrais quilombolas) puderam sobreviver disso. Começaram a inventar as tecnologias sociais. Aqui nessa região teve uma invenção muito importante para eles, a maçaquara... Era uma madeira que eles colocavam nas margens dos manguezais e aquilo ali criava ostras pra sobrevivência. Depois veio a camboa de pau, que é uma arte mais indígena com quilombola. Um formato de copo que tem duas pernas, que pega além do peixe, o camarão e a ostra, então você vê como eram as invenções deles, que deram certo. Várias pessoas, com isso, criaram suas famílias, conhecem as tecnologias sociais, isso foi muito importante aqui.

Café Preto: Existe articulação entre as comunidades quilombolas? Como ela se realiza?

Jorlane: A necessidade de um quilombo é de todos. Então tem que ter organização. Pra você se organizar é necessário que você faça uma política voltada para a economia solidária, voltada para renda, tipo o banco quilombola do Iguape.


Moeda_solidariaCafé Preto:
Você pode contar um pouco para gente sobre esse banco?
 

Jorlane: A gente trabalha com duas políticas de crédito, o consumo e a produção. A pessoa solicita o empréstimo, o valor máximo hoje é de R$ 300,00. Isso é cultura, isso é vontade, isso é querer que a comunidade, a renda, gire em torno dela. Essa moeda local não tem juros.

Café Preto: Em relação aos núcleos produtivos, como são as relações de trabalho, existem patrões e empregados?

Jorlane: Eu não sei nem como é que se escreve esse nome ‘patrão’e 'empregado', porque a gente não usa essas palavras aqui nas nossas comunidades. A gente usa: “Vamos fazer?”. O vamos vem na frente de tudo. Comunidade quilombola, comunidade organizada, não significa ser ignorante, tem que ter ética. A gente faz os nossos objetivos e constrói, a gente não aceita objetivo pronto de cima pra baixo, a gente constrói de baixo pra cima.

Jucilene: Os núcleos de produção trabalham no coletivo, na base da economia solidária. Tem grupos, como o cultivo de ostra, por exemplo, que é no coletivo, mas na divisão cada ostreicultor tem a sua produção, cada um vende seu produto e a divisão dos valores é individual. Já no núcleo de turismo, o valor é repartido igualmente entre todos no grupo, assim como acontece em outros núcleos, o único que tem esse diferencial mesmo, dos valores individuais, é o de ostreicultura.

 

Feira_de_artesanato7ª Edição da Feira das Ostras 

Café Preto: Quais os principais problemas enfrentados aqui?

Jucilene: Quando uma pessoa passa mal, ainda temos a dificuldade de chegar no hospital, não temos uma estrada adequada, várias pessoas já faleceram por falta de um socorro adequado. Não temos ambulância, liga e não consegue, a gente tem que pegar o único carro da comunidade, que é o da Rota da Liberdade que acaba virando ambulância. Ainda temos dificuldade na área de educação, acesso à escola, os jovens ainda andam muito até chegar até o ponto, porque o transporte não entra na comunidade, assim muitos desistem. São tantas as dificuldades dentro de uma comunidade quilombola que é difícil até nomear todas elas.

Café Preto: Existem problemas com o Estado e com os empreendimentos dessaa região?

Jorlane: Depois que essas ONG's, governo, estaleiro naval e a hidrelétrica de Pedra do Cavalo chegaram, diminuiu muito a nossa pesca. Estamos tendo problema na água, antigamente meus ancestrais pescavam tranquilos, não se coçavam, mariscavam, vinham de manhã, voltavam de tarde e não tinham problemas. Hoje você não consegue ficar meia hora na maré, porque a água começa a coçar. Está nos prejudicando. Esse estaleiro desgraçou com a população. Estão sumindo os mariscos, então por isso que as nossas comunidades trabalham no coletivo para formar os núcleos produtivos. Os meus ancestrais me ensinaram a lutar, por várias coisas, não por uma coisa só. Quem vive de uma coisa só, infelizmente fica atrasado no mundo.

Café Preto: para marcar o final dessa conversa, o que é ser quilombola pra você?

 

JorlaneJucilene

 

 

 

 

"Ser quilombola é meu amanhecer, meu entardecer, meu anoitecer. Meu dia-a-dia, a minha cor, a minha origem, a minha ancestralidade, minha cultura, meu coração e minha consciência. Porque se eu não tiver minha consciência, eu não sei o que são esses nomes que falei" - Jorlane

"É você assumir sua identidade, lutar por aquilo que você quer, é você ter resistência, o reconhecimento dos seus valores, ter o saber e o fazer a todo momento, daquilo que você se identifica, daquilo que você quer, daquilo que você caminha" - Jucilene

 


 
SOBRE AS PESSOAS ENTREVISTADAS (POR ELAS MESMAS)

Jorlane: quilombola do Kaonge, conselheira quilombola do Vale do Iguape, Conselheira da Reserva Extrativista Baía do Igupae, apicultora, ostreicultura, agente de crédito do banco solidário, percussionista e mais um montão de coisas.

Ananias Viana: liderança Quilombola da Bacia do Vale do Iguape.

Jucilene: quilombola da comunidade do Kaonge, professora, ostreicultora, apicultora, artesã e muito mais.

O quilombo: o Territorio Quilombola Kaonge situa-se no municipio de Cachoeira, no Reconcavo Baiano, e é formado pelas comunidades do Kaonge, Engenho da Ponte, Engenho da Praia, Dendê e Calembá.



Sobrevivendo Sem Patrões

mais de 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Rv1"Desde que nascemos, já chegamos ao mundo endividados. Não temos um lar para chamar de nosso, um trabalho garantido, ou um palmo de terra para plantarmos. Nascemos devendo a nós mesmos a conquista do pão, do teto, do prato de comida, tudo isto à base de muito trabalho, suor e economias. Mas se nascemos em dívida, estamos devendo a quem?"

A resposta para essa pergunta e muito mais você pode dar um saque na matéria completa Sobrevivendo Sem Patrões.



As Minas e o RAP

mais de 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Rima_mina"O dia-a-dia das mulheres pobres, majoritariamente negras, é labuta, trabalho explorado pelo patrão, ou pela patroa, trabalho dobrado em casa, e ainda ter que lidar com os padrões de beleza, de roupa, de agir... Pode até bater o cansaço, mas se juntar com outras mulheres e rimar o que acontece com a gente é poesia que alimenta a mente e fortalece o corpo para lutar. Cada vez mais novas, as meninas se jogam no RAP e gritam cheias de auto confiança, denúncias do trabalho, do racismo, do machismo que explora, marginaliza e machuca, afirmam o que precisa mudar. A rima, o processo criativo, especialmente quando compartilhado ou produzido coletivamente, fortalece a auto percepção das mulheres e nos indica o quanto somos mais fortes quando estamos juntas."

Essa é só uma palinha do que essas minas tem a dizer! Dê um saque na matéria completa As Minas e o RAP.



Hip-Hop - A periferia segue em resistência!

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

Está na rede a coluna "Na Lata" da segunda edição do Café-Preto.

Nessa edição, um diálogo aberto com artistas da periferia, entendendo um pouco mais das dificuldades e das conquistas em resistir e produzir aquilo que verdadeiramente se acredita. No bairro de Cajazeiras, conversamos com Nid e Jhoy que compõem a Apologic MC's, e o Bboy Makito.

Abaixo um pequeno trecho dessa edição. Desfrute do nosso cafezinho!Completo

"As pessoas não estão conseguindo respeitar o espaço das outras... E isso de certa forma vai criando movimentos como esse de trazer uma nova perspectiva, de mostrar a essas pessoas que existe todo um outro mundo diferente onde as pessoas se aceitam como elas são, sacou?" Makito

Leia mais aqui



RACISMO AMBIENTAL!!!

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

[CHAMADO] MAIS UM GOLPE DO ESTADO NOS QUILOMBOLAS, ATINGIDOS POR BARRAGENS, PESCADORES E MARISQUEIRAS

 

Paragua_u

 O Estaleiro Naval enseada do Paraguaçu, construído no território pesqueiro e quilombola da Baía do Iguape, será responsável por construir navios sonda para prospecção de petróleo e para fins militares. Ocorre que em 2009, o Estado brasileiro reduziu a área legalmente instituída como Reserva Extrativista que beneficiava pescadores e marisqueiras para a instalação deste empreendimento, que não poderia ser construído no interior de uma unidade de conservação. A alteração dos limites da Reserva Extrativista ocorreu sem nenhuma consulta pública, o que é exigido pela Convenção 169 da OIT. O Estaleiro é conhecido pelas populações locais pelos seus enormes impactos nos estoques pesqueiros da região, pela disseminação de espécies exóticas e invasoras como o Coral Sol, além de ter desmatado uma extensa faixa de manguezal de extrema importância para a mariscagem de pescadoras das comunidades de São Roque e Enseada. O empreendimento encontra-se fechado, pois houve envolvimento das empresas consorciadas na operação Lava-Jato, sendo que toda a mão de obra empregada jaz demitida há mais de um ano. Em 29 de fevereiro deste ano, o Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) decidiu que mais de vinte milhões de reais destinados às compensações destes impactos socioambientais não serão destinados à Reserva Extrativista, sob alegação de que o empreendimento não afeta diretamente a própria Reserva (que teve que ser diminuída para a instalação da obra). Ironicamente, muitas unidades escolhidas para receberem os benefícios da compensação ambiental pelos impactos do Estaleiro estão situadas no extremo sul da Bahia, centenas de quilômetros distantes do empreendimento! 

A ata da reunião do CCAF é pública e está disponível aqui.

 



O Primeiro de Maio

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

M_rtires

Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos "seus" trabalhadores. Também existem - ou existiam - aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.

As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.

Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.

Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: "Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: "Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje".

Chicago

Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os "Mártires de Chicago", tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.

O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: "A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: "Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações..."

Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti.

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.

Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante.

Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime.

Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem-Estar Social ou, pior ainda, de autoritários "pais dos pobres" do tipo de Vargas ou Perón.

Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas.

Autor: Jorge E. Silva

Link original: aqui

Para saber mais: Anarquismo e Primeiro de Maio no Brasil



Marcha Antifascista Salvador-BA

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

 Marcha_antifascista

 

ALERTA!


"Uma onda de intolerância vem ganhando força nos últimos anos. A disputa política de partidos pelo poder reflete o que existe de pior em extremos da sociedade: o fascismo.

O povo pobre está sendo atacado, os trabalhadores e trabalhadoras, os estudantes, as mulheres, os lutadores e lutadoras do nosso dia-a-dia em todas as esferas. Movimentos sociais estão sofrendo ataques, sedes sindicais, organizações populares, centros estudantis.
Isso é o traço claro do fascismo. A meta é destruir a mobilização popular e promover a intolerância. Foi assim no passado aqui no Brasil e em todo o mundo.

Os ataques não estão restritos no âmbito político, com leis conservadoras e que prejudicam as liberdades. Esses ataques se propagam nas ruas, diariamente, violentamente. E eles têm aval do Estado conservador, através de um sistema que só julga e criminaliza o nosso povo.
Propagam ódio contra imigrantes, contra homossexuais, contra os negros, contra nordestinos, contra movimentos de esquerda com ou sem partido político.

Qual a importância de uma mobilização antifascista?

Estamos à beira de um caos em todas as esferas. A onda reacionária toma conta da opinião pública através de uma mídia irresponsável e intolerante, propagando e banalizando posicionamentos que atacam as liberdades e se refletem na política e nas ruas.

Precisamos organizar e mobilizar as bases populares. Formar uma unidade da luta antifascista para barrar a onda intolerante e violenta. Precisamos unir todos e todas que já estão se articulando diariamente e somar com quem ainda não entendeu a importância de identificar o mal que é o fascismo.

O lema é: "somar para o fascismo sumir".

Só com uma mobilização em unidade poderemos organizar frentes populares e que visam a conquista de um mundo melhor. O momento requer uma frente única antifascista que demonstre força e organização. Assim como os antifascistas se uniram no passado para derrotar o integralismo (fascismo disfarçado), chegou o momento de voltarmos pras ruas em peso. Nossa luta não tem fronteiras.

Não queremos promover a violência, mas sim marcar a nossa posição firme contra qualquer ataque às liberdades. Organize na sua cidade, mobilize seus amigos e familiares. Promova a articulação diretamente das bases populares, como sempre foi. Uma mobilização em massa será importante para criar uma força popular organizada e preparada para resistir aos ataques que estão por vir em todas as esferas. "

Texto dos organizadores - Ação Antifascista Salvador - BA



E tome obra! Uma cidade cada vez menos nossa

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

Está na rede a coluna "Tudo deles, nada nosso" da segunda edição do Café-Preto.

Na boca dos gestores dessa cidade, cada vez mais é comum a utilização da "requalificação urbana" como maneira de conquistar corações e mentes do povo pobre de Salvador, mas cá pra nós, requalificação urbana pra quem? Nessa edição continuamos denunciado o modelo de cidade elitista, racista e cada vez mais segraegada que está sendo imposta por ACM, o neto.O_neto

Abaixo um pequeno trecho dessa edição. Desfrute do nosso cafezinho!

"Estamos vendo que a “melhoria na infraestrutura da cidade” não traz benefícios para todos. Do jeito que as mudanças acontecem, estão forçando os mais pobres a sair de suas comunidades, removendo-os de suas casas enquanto os empresários da especulação imobiliária aumentam seus lucros. A especulação imobiliária funciona juntinho do Estado: o político investe dinheiro público na melhoria de uma praça aqui, ‘bota’ uma orla bonitinha acolá, e se aproveita das obras para expulsar os moradores mais pobres e os trabalhadores autônomos destas áreas. Assim a cidade é entregue de bandeja para os empresários fazerem dela o que bem entender."

Leia mais aqui