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Rio dos Macacos

Confira as fotos da visita do Café Preto ao quilombo!

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24 de Fevereiro de 2015, 21:17 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

O GRITO DE INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA - 2 DE JULHO É LUTA DE TODOS OS DIAS NA BAHIA!

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

E o Café-Preto segue cada vez mais forte sem açúcar! Neste 2 de Julho estivemos fortalecendo e estendendo os laços de solidariedade com os movimentos populares, registrando os atos que marcaram o cortejo.

Abaixo um pequeno trecho do manifesto assinado pelo MSTB/Guerreiras sem Teto da Bahia + Tarifa Zero Salvador:

"O Movimento Sem-Teto da Bahia (MSTB) e o Tarifa Zero Salvador clamam às ruas da Independência baiana uma marcha de todos aqueles e aquelas que defendem o Transporte Público e a Moradia como Direitos Sociais inegáveis e não como mercadorias! Lutar ombro a ombro por uma outra cidade. Uma cidade que tenha suas raízes nos nossos laços de solidariedade"

 

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‪#‎QUILOMBO‬ ‪#‎RIODOSMACACOS‬

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

O Café Preto agradece o convite do Quilombo Rio dos Macacos e todo o carinho na recepção das companheiras e companheiros da nossa organização. Após um dia de lindos relatos, expressões de resistência e de tradicionalidade (sem contar as deliciosas jacas), nada mais justo que preparar os nossos leitores para colar com toda a solidariedade na campanha pela melhoria das moradias do quilombo. Fiquem atentos que em breve fortaleceremos a campanha "não deixe a casa cair". Acompanhem de pertinho, a água está quase no ponto e o café já está no coador!

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#RECÔNCAVO - Quilombolas contra a hidrelétrica de Pedra do Cavalo

mais de 1 ano, por Bruno M. - 0sem comentários ainda

 

A Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, localizada no Recôncavo baiano e composta por mais de 90 comunidades quilombolas, cerca de cinco mil famílias de pescadores e pescadoras tradicionais, conquista mais um passo rumo à vitória contra os grandes empreendimentos. Desta vez, após anos de mobilizações, o Instituto Chico Mendes negou a autorização para o licenciamento ambiental da Hidrelétrica de Pedra do Cavalo e o Ministério Público Federal ainda sugeriu ao INEMA a interdição do Licenciamento da hidrelétrica, administrada pelo grupo Votorantim. A hidrelétrica, que funcionava há quase sete anos sem licença, possui uma planta de operação que barra o fluxo de água doce do Rio Paraguaçu por mais de 20h/dia, fazendo com que o efeito da maré no território pesqueiro dos quilombolas elevem a salinidade da água a níveis absurdos, além de mudar toda a dinâmica hidrológica do estuário. Um rio sem fluxo é um rio sem vida e os estoques pesqueiros que sustentam a reprodução física, social e cultural destas comunidades tradicionais se esgota a cada dia! Hoje, devido à degradação ambiental da Baía do Iguape causada por grandes empreendimentos, a renda per capta mensal oriunda da atividade pesqueira na região é de cerca de R$ 20,00, três vezes menor que o limite estabelecido para caracterizar situação de extrema pobreza. É um silencioso genocídio do povo preto no campo. A exigência dxs quilombolas é que a hidrelétrica só seja licenciada após alterada toda a sua estrutura ou motorização, de forma a permitir um fluxo adequado para propiciar a vida da Baía do Iguape. É exigida também uma série de compensações por todos os danos causados à atividade pesqueira e aos modos de vida das populações tradicionais.Ressaltamos a grande importância das mulheres marisqueiras nesta luta, sempre maioria esmagadora nas reuniões e nas mobilizações quilombolas do Recôncavo! Que a resistência continue! O Café Preto está ligado, ombro a ombro com a luta quilombola, seja na terra, seja no mar!!!



MSTB - Movimento dos Sem Teto da Bahia

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

Salvador, Ba - 18/06/2016

O cafezinho continua quente e cada vez mais solidário aos movimentos populares que cotidianamente constroem e apontam os caminhos de uma outra sociedade, baseada na justiça social, no apoio mútuo e na autogestão dos nossos interesses.
Agradecemos todo o acolhimento e os ensinamentos compartilhados pel@s guerreir@s do Movimento dos Sem Teto da Bahia (MSTB) em seu encerramento do 2o Curso de Formação Política, realizada no dia de hoje na Ocupação Manuel Faustino.

                                              Ocupar e resistir, de baixo pra cima, nós por nós!

Através do sorriso acolhedor e do abrigo de um abraço seguro com os nossos, no combate e enfrentamento aos que reforçam o sistema de desigualdade, o Movimento dos Sem Teto denuncia todo o processo de exclusão e fragmentação sócio-espacial a que estamos submetidos na cidade capitalista, apontando assim que a LUTA por moradia é ao mesmo tempo ponto de partida e ponto de chegada, caminho e caminhada. Famílias que se organizam e juntas combatem todo tipo de violência e assédio, como denunciado (entre tantos casos) aqui:

Articular e fortalecer os caminhos que se intercruzam. Confluência de lutas que expõe a beleza e a força que possuímos juntos, como bem demonstrou também o Tarifa Zero Salvador na data de hoje nesta formação. Em busca das Comunidades do Bem Viver e da Tarifa Zero.

"Organizar, ocupar e resistir!!! Este é o nosso lema, então vamos prosseguir"

Em breve mais novidades!
Apreciem o Café-Preto e sem açúcar!



‪#‎PESCADORES‬ ‪#‎MARISQUEIRAS‬ ‪#‎QUILOMBOLAS‬ ‪#‎INDIGENAS‬ ‪#‎DIREITOS‬

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

 

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O Movimento dos Pescadores e Pescadoras (MPP), juntamente com outras organizações de pescadores artesanais, iniciou na manhã de hoje (16/06) uma ocupação na Superintendência Federal de Agricultura na Bahia, no Largo dos Aflitos, em Salvador. Com um quantitativo de mais de 500 pessoas, dentre elas quilombolas e indígenas relacionados à pesca, denunciam o descaso do governo federal com os direitos trabalhistas e previdenciários da categoria. Os ocupantes reivindicam a emissão dos Registros Gerais da Pesca (RGP) que desde 2012 não foram entregues, a suspensão do cancelamento de diversas RGPs pelo governo federal, a liberação do pagamento dos seguros defeso cancelados neste ano e a estruturação de uma coordenação qualificada e específica de pesca no Ministério da Agricultura e Pecuária. Reclamam ainda que o governo federal criou uma série de novas burocracias que tem dificultado o pescador de receber o seguro defeso e que o INSS não tem servidores capacitados para receber e traFoto_5tar dos direitos dos pescadores e pescadoras. No início da ocupação, todos e todas as manifestantes gritavam palavras de ordem em meio a um apitaço e expunham cartazes com as pautas reivindicadas. Os servidores públicos da Superintendência Federal de Agricultura foram postos para fora do prédio, sendo que um deles chegou a agredir fisicamente uma pescadora e outro deixou o prédio aos brados de "vagabundas, vão trabalhar", direcionados às marisqueiras de Saubara. Apesar das agressões, a ocupação segue até então pacífica. O Café Preto está atento à luta dos pescadores e marisqueiras e em breve publicará mais informações! Acompanhem e compartilhem!

 

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Quilombolas em Luta - Recôncavo baiano.

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

O conselho deliberativo da Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, território indispensavel à reprodução física social e cultural de mais de cinco mil famílias quilombolas, decidiu por iniciar uma mobilização integrada entre as 92 comunidades da Baía do Iguape para reaver os recursos de compensação ambiental do Estaleiro Enseada Indústria Naval que foram desviados pelo poder público para outras regiões não afetadas pelos impactos do empreendimento. O Café Preto está atento à luta das populações tradicionais, fortalecendo ombro a ombro a resistência no Recôncavo.

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#PDDU: O agravamento da desigualdade para fazer da cidade o que eles querem

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

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  Sabemos que a vida está difícil, muito trabalho, pouca grana e muita notícia sobre acontecimentos tristes aqui e no mundo. Temos mais uma notícia triste: hoje foi aprovado o novo PDDU, Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador, na Câmara de Vereadores. Foram 29 votos contra 13. Houve uma manifestação na porta da câmara, pessoas contra a lei foram barradas e o poder público diz que o processo foi participativo.

Há um tempo o Café Preto lançou na coluna “Tudo deles, nada nosso”, uma matéria sobre a privatização da nossa cidade, o debate será atual até que tenhamos força para barrar iniciativas do poder público de “entregar” nossa cidade à iniciativa privada.

Você que como eu, acabou de chegar do trabalho, depois daquele engarrafamento, e com a mente apertada...vamos apertar só mais um pouquinho: se você nunca nem ouviu falar do PDDU, se ligue que isso significa que você, eu, nós que estamos nesta cidade não temos nenhum acesso à discussão que define como o nosso espaço urbano vai ser planejado. Vemos pedra embaixo de viaduto para afastar as pessoas em situação de rua, os sem-teto organizados em movimento também são afastados dos processos de decisão política, quem paga o aluguel cada vez mais caro também não é convidado para decidir. Não importa quem você é. Importa o lucro do setor imobiliário e o seu poder de financiamento de campanhas.

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O processo conduzido de “cima para baixo” no planejamento do uso dos espaços de Salvador é direcionado para interesses lucrativos dos empresários enquanto marginaliza a população pobre e negra para cada vez mais longe dos centros. Hoje houve mais esta notícia triste, mas é preciso transformar essa tristeza em revolta, porque amanhã tem mais.

Terça-feira (14 de Junho de 2016) será votado o novo Plano Municipal de Educação, propõe uma “reorganização” da educação, uma “reorganização” que não contou com as contribuições de professores e estudantes da rede pública de ensino, muito menos a comunidade no entorno das escolas. Outro processo conduzido de “cima para baixo” que dará a administração da escolas a “organizações sociais”, uma grande abertura para que o setor privado domine a administração dos locais de ensino. Tomem um café preto e sem açúcar para podermos lutar contra a privatização de todas as dimensões de nossas vidas. Isso já está rolando...

Mais um pouco sobre a tarde de votação do Plano de Privatização Urbana em Salvador, conhecido ainda como PDDU:

Breve entrevista com Glória Cecília, professora da faculdade de arquitetura da UFBA:

Ver aqui

Militante do MSTB denuncia exclusão política em votação de PDDU

Ver aqui

Carrões de Geddel e ACM Neto ao som de "golpistas"

Ver aqui

  

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#HOMOFOBIA: Lésbicas, gays e trans quando morrem, não viram purpurina, é chacina!

mais de 1 ano, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

 

Homofobia

 

Às vezes, quando cinquenta pessoas são assassinadas - de uma só vez - com a justificativa do ódio à diversidade afetiva e sexual, o banheiro da boate parece ser o lugar mais seguro para se esconder das violências cotidianas, do ódio que espanca, empala e castra, da expulsão dos lares, das escolas, dos empregos e das famílias.  Somos pais, mães, filhos, filhas, irmãos, companheiros e companheiras; somos pessoas que existimos fora da TV e dos vídeos aparentemente engraçados na internet. Existimos nos metrôs, nos ônibus, nos carros, nas bicicletas, nos barcos, nas canoas, nos aviões, nos ventres das mães, nos álbuns de família, nos lares, nos trabalhos e nas festas.

Porém, a grande verdade, convenhamos, é que muitas vezes existimos fud(g)idos nos metrôs, nos ônibus e em todos esses lugares e uma agressão sem tamanho como a que aconteceu nos Estados Unidos deve nos fazer pensar que o lugar lugar das lésbicas, dos gays, dos e das trans é ao lado das mulheres e dos negros: nessas mesmas ruas e rios lutando por uma vida de respeito e direitos!

Lésbicas, gays, trans, mulheres e negros, quando morrem, vira luta!

Nós-por-nós! Não esqueceremos nenhuma chacina, do Cabula a Orlando... 

 

*Texto enviado por um leitor do Café Preto, diretamente do Pará.



#‎RIOVERMELHO‬

mais de 1 ano, por Léo Lopes - 0sem comentários ainda

A Prefeitura de Salvador organizou na última sexta-feira (03/06/2016) uma grande operação de fiscalização, o famoso RAPA, no Rio Vermelho, território de lazer tradicionalmente utilizado pela população soteropolitana. Após a reforma na área boêmia do bairro, gente rica e gente pobre aparentemente ainda se misturam no local.

Nós, do Café Preto, cafeinados nas tretas do sistema, conversávamos sobre como era claro que gente rica sentava às mesas dos grandes bares e gente pobre ficava de pé ou na balaustrada consumindo nos vendedores ambulantes em seus isopores. A importância dos ambulantes na inclusão da classe precarizada da cidade nos espaços de lazer da tal "requalificação urbana" era inegável. Cobrando valores bem mais baratos, quem vive apertado na correria do dia a dia consegue ao menos chegar e tomar a sua cerveja (a velha e boa 3 por 5). Com agentes à paisana, de forma truculenta e agressiva, o Rapa agrediu pessoas e apreendeu materiais dos ambulantes, conseguindo encher a carroceria inteira de um caminhão. 

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Carrinhos de pipoca, de pastel, beijú, isopores de bebidas, tudo jogado e amontoado sem o mínimo cuidado com os bens apreendidos... Um senhor de idade chegou a resistir, mas foi violentamente arrastado pela fiscalização até a viatura da polícia militar. Com a retirada dos ambulantes, ficou nítido o esvaziamento do local. Quem tem dinheiro fica, quem não tem, sai. Branco fica, preto sai. A Prefeitura demonstrando mais uma vez que a sua requalificação urbana é sim uma política racista e injusta de "higienização". Em uma conversa com uma ambulante que chegava com seus dois filhos pequenos para trabalhar e tirar o seu sustento exatamente à meia noite, ela nos disse: "o cerco está fechando para nós ambulantes... aluguei o meu barraco no Calabar pra uma família que nem conhecia, mas foi pra eles morarem junto com a gente. São sete pessoas nesse espaço aqui ó [enquanto demonstrava com as mãos a parca dimensão de sua moradia]. Tive que fazer isto pra comprar esse carrinho de pastel. Se eu perco isso, cabou a vida DOS MEUS MENINOS!". O Café Preto repudia a ação e continuará, como sempre, visibilizando a luta dessa gente guerreira e trabalhadora! Relembre nossa matéria sobre os ambulantes da Lapa após a privatização do terminal de ônibus:

https://www.youtube.com/watch?v=I8tN_mJLU0k

 

 

 



Quilombolas em Luta!

mais de 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Veja como essa matéria saiu na versão impressa aqui no PDF


 Quilombolas em Luta!
Autogestão e Resistência no Recôncavo Bahiano

Nesse nosso mundão nos deparamos todos os dias com uma diversidade de situações, de paisagens, de ideias e ações. No entanto, você já percebeu quantos obstáculos encontramos quando queremos discutir os problemas existentes no interior do nosso modo de vida?

Tentam nos convencer de que as roupas que vestimos, os sabores que consumimos e as relações que estabelecemos só seriam aceitáveis se estiverem de acordo com a forma "autorizada" pelo capitalismo. Mais uma forma de controle no seu projeto histórico de transformação de todo e qualquer atributo da vida em mercadoria, mera etiqueta de boutique.

Na contramão dessa prisão cotidiana, há comunidades e grupos tradicionais que se colocam no presente enquanto resistências e impedem o domínio supremo de um modo de vida pré-formatado através do resgate à sua ancestralidade e às relações sociais de outros tempos. Esta luta se realiza em diversas frentes e de forma cotidiana. Expressa um outro contato com a natureza e entre homens e mulheres. Representa a autodeterminação do como queremos, podemos e lutamos para ser e atender nossas necessidades, através do resgate de valores silenciados ao longo da historia.
Nesta edição reservamos este espaço para dialogar, conhecer e valorizar as práticas e saberes das Comunidades Quilombolas existentes no Recôncavo baiano. Comunidades marcadas por uma trajetória de luta contra os grandes proprietários fundiários, empreendimentos, bem como contra o próprio Estado.

Ainda assim, estas comunidades reafirmam seus saberes e apontam novas trilhas por onde podemos fortalecer novas caminhadas através da ajuda-mútua, da solidariedade e articulação. Na 7º edição da Festa da Ostra, o Café-Preto marcou presença na comunidade quilombola do Kaonge, pra saber, e aí, Colé de Merma?

 


 

AnaniasCafé Preto: Sobre a Festa da Ostra, vocês podem nos contar um pouco do histórico, o porque do surgimento e os objetivos?

Ananias Viana: A festa da Ostra foi uma invenção que veio pra continuar aquilo que os nossos ancestrais deixaram pra gente. Quando começamos a criar ostra, em cativeiro, veio um problema. E agora? A gente tá produzindo, mas vai vender aonde? A gente não tem comércio, como é que vai vender, vai ficar assim? Vai desestimular a criação de ostra? Aí veio uma discussão, a única coisa, pensamos, é a gente fazer um evento e colocar o nome de Ostra, Festa da Ostra. De início era feito na semana santa, porque todos os filhos das pessoas das comunidades que estão em outros estados vêm visitar suas famílias. Aí a gente disse, vamos fazer o evento dentro das Comunidades Quilombolas do Vale do Iguape, vamos dar visibilidade.

Jorlane: É um projeto bom, não é montado. É um projeto que visibiliza a coletividade na comunidade e a renda.

Jucilene: A importância está na divulgação dos nossos produtos, para que as pessoas conheçam o potencial produtivo das nossas comunidades.

Café Preto: Existe uma integração entre os núcleos produtivos para potencializar a visibilidade?

Jucilene: Sim, o núcleo de Turismo de Base Comunitária, por exemplo, consegue agregar todos os núcleos de produções dentro dos seus roteiros, como a apicultura, o artesanato, o azeite de dendê... Mesmo com todas as nossas problemáticas, tentamos encontrar as soluções para que os moradores não saiam das suas comunidades, que a gente consiga resistir aqui.


Rota da Liberdade
Rota da Liberdade

Café Preto: Existe todo um desenvolvimento que tem origem no saber ancestral, tradicional...

Ananias Viana: Sim, os quilombos existem diretamente nas margens dos manguezais, dentro das matas ou nas margens dos rios. Porque no rio tem os peixes, na mata tem a caça, e nos manguezais tem os mariscos e moluscos, aí eles (acenstrais quilombolas) puderam sobreviver disso. Começaram a inventar as tecnologias sociais. Aqui nessa região teve uma invenção muito importante para eles, a maçaquara... Era uma madeira que eles colocavam nas margens dos manguezais e aquilo ali criava ostras pra sobrevivência. Depois veio a camboa de pau, que é uma arte mais indígena com quilombola. Um formato de copo que tem duas pernas, que pega além do peixe, o camarão e a ostra, então você vê como eram as invenções deles, que deram certo. Várias pessoas, com isso, criaram suas famílias, conhecem as tecnologias sociais, isso foi muito importante aqui.

Café Preto: Existe articulação entre as comunidades quilombolas? Como ela se realiza?

Jorlane: A necessidade de um quilombo é de todos. Então tem que ter organização. Pra você se organizar é necessário que você faça uma política voltada para a economia solidária, voltada para renda, tipo o banco quilombola do Iguape.


Moeda_solidariaCafé Preto:
Você pode contar um pouco para gente sobre esse banco?
 

Jorlane: A gente trabalha com duas políticas de crédito, o consumo e a produção. A pessoa solicita o empréstimo, o valor máximo hoje é de R$ 300,00. Isso é cultura, isso é vontade, isso é querer que a comunidade, a renda, gire em torno dela. Essa moeda local não tem juros.

Café Preto: Em relação aos núcleos produtivos, como são as relações de trabalho, existem patrões e empregados?

Jorlane: Eu não sei nem como é que se escreve esse nome ‘patrão’e 'empregado', porque a gente não usa essas palavras aqui nas nossas comunidades. A gente usa: “Vamos fazer?”. O vamos vem na frente de tudo. Comunidade quilombola, comunidade organizada, não significa ser ignorante, tem que ter ética. A gente faz os nossos objetivos e constrói, a gente não aceita objetivo pronto de cima pra baixo, a gente constrói de baixo pra cima.

Jucilene: Os núcleos de produção trabalham no coletivo, na base da economia solidária. Tem grupos, como o cultivo de ostra, por exemplo, que é no coletivo, mas na divisão cada ostreicultor tem a sua produção, cada um vende seu produto e a divisão dos valores é individual. Já no núcleo de turismo, o valor é repartido igualmente entre todos no grupo, assim como acontece em outros núcleos, o único que tem esse diferencial mesmo, dos valores individuais, é o de ostreicultura.

 

Feira_de_artesanato7ª Edição da Feira das Ostras 

Café Preto: Quais os principais problemas enfrentados aqui?

Jucilene: Quando uma pessoa passa mal, ainda temos a dificuldade de chegar no hospital, não temos uma estrada adequada, várias pessoas já faleceram por falta de um socorro adequado. Não temos ambulância, liga e não consegue, a gente tem que pegar o único carro da comunidade, que é o da Rota da Liberdade que acaba virando ambulância. Ainda temos dificuldade na área de educação, acesso à escola, os jovens ainda andam muito até chegar até o ponto, porque o transporte não entra na comunidade, assim muitos desistem. São tantas as dificuldades dentro de uma comunidade quilombola que é difícil até nomear todas elas.

Café Preto: Existem problemas com o Estado e com os empreendimentos dessaa região?

Jorlane: Depois que essas ONG's, governo, estaleiro naval e a hidrelétrica de Pedra do Cavalo chegaram, diminuiu muito a nossa pesca. Estamos tendo problema na água, antigamente meus ancestrais pescavam tranquilos, não se coçavam, mariscavam, vinham de manhã, voltavam de tarde e não tinham problemas. Hoje você não consegue ficar meia hora na maré, porque a água começa a coçar. Está nos prejudicando. Esse estaleiro desgraçou com a população. Estão sumindo os mariscos, então por isso que as nossas comunidades trabalham no coletivo para formar os núcleos produtivos. Os meus ancestrais me ensinaram a lutar, por várias coisas, não por uma coisa só. Quem vive de uma coisa só, infelizmente fica atrasado no mundo.

Café Preto: para marcar o final dessa conversa, o que é ser quilombola pra você?

 

JorlaneJucilene

 

 

 

 

"Ser quilombola é meu amanhecer, meu entardecer, meu anoitecer. Meu dia-a-dia, a minha cor, a minha origem, a minha ancestralidade, minha cultura, meu coração e minha consciência. Porque se eu não tiver minha consciência, eu não sei o que são esses nomes que falei" - Jorlane

"É você assumir sua identidade, lutar por aquilo que você quer, é você ter resistência, o reconhecimento dos seus valores, ter o saber e o fazer a todo momento, daquilo que você se identifica, daquilo que você quer, daquilo que você caminha" - Jucilene

 


 
SOBRE AS PESSOAS ENTREVISTADAS (POR ELAS MESMAS)

Jorlane: quilombola do Kaonge, conselheira quilombola do Vale do Iguape, Conselheira da Reserva Extrativista Baía do Igupae, apicultora, ostreicultura, agente de crédito do banco solidário, percussionista e mais um montão de coisas.

Ananias Viana: liderança Quilombola da Bacia do Vale do Iguape.

Jucilene: quilombola da comunidade do Kaonge, professora, ostreicultora, apicultora, artesã e muito mais.

O quilombo: o Territorio Quilombola Kaonge situa-se no municipio de Cachoeira, no Reconcavo Baiano, e é formado pelas comunidades do Kaonge, Engenho da Ponte, Engenho da Praia, Dendê e Calembá.