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Sentimentos em Decibéis: a produção de música na periferia.

18 de Outubro de 2017, 19:04 , por anarcksattack - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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                                   Sentimentos em decibeis

 

Quando se trafega por um dos maiores bairros da América Latina a sensação não poderia ser outra, vertigem! ! ! Em Cajazeiras bem vale a máxima “cada quebrada um mundo, cada mundo uma realidade”.  No comércio popular quase tudo se encontra, por sua vez, nas praças, esquinas e em diversos espaços improvisados vemos estampados as manifestações viscerais da rotina vivida. Da ameaça constante de uma abordagem truculenta da polícia às vozes dos ativistas que não se calam frente as injustiças, tá tudo aqui! Nesse fluxo urbano, o Café-Preto foi parar nos estúdios da produtora Kza da Véa para um bate-papo com Ojuara das Beats, produtor musical responsável pelos processos de gravação, masterização, mixagem e mais uma pá de coisa. É assim que logo no início da nossa conversa Ojuara relata o poder que a música tem na sua vida como produtor.


Ojuara das Beats: A música faz parte da vida do ser humano de uma forma muito complexa, eu já li muitas coisas e entre estas nunca vi nada que explicasse de fato este poder. Pra mim produção musical é materializar em decibéis todos os meus sentimentos, tudo aquilo que eu não consigo falar de forma natural. Existem coisas na vida que as palavras não conseguem explicar e às vezes a emissão de um som demonstra muito mais. 

 

Instigado por esta visão apontada por ele perguntamos: como é viver de música na periferia?


Ojuara das Beats: Tive que abrir mão de muita coisa pra hoje estar produzindo no Kza da Véa. Quantas vezes já não me perguntei, “eu tenho talento, a galeria elogia meu trabalho e porque eu não tô lá no topo também?” E as vezes a música não tá ali pra você viver dela, mas pra você usá-la, falar pra outras pessoas o que em uma conversa normal elas não conseguiriam chegar. Dentro da periferia, hoje, a gente tem uma carência muito grande de um polo cultural. Geralmente o que tem aqui dentro é uma própria manifestação periférica, o nosso governo investe lá pelo centro, Pelourinho, Rio Vermelho... Então o acesso se torna maior pra galera que mora lá, mas e os moleques que moram aqui na periferia?


Café Preto: E aí? como é que faz?


Ojuara das Beats: Eu, manifestante da periferia,como posso ajudar essa galera que sonha que nem eu? Porque meu governo não ajuda, eu também não quero cobrar eles, não tô nem aí pra o que eles vão fazer. Se eles não fazem, a gente faz, tem que fazer, e o que eu fiz? Eu peguei meu talento e minha disposição pra trabalhar e fui convidando os manos pra colar aqui no Kza.


Café Preto: E o lance dos instrumentos e equipamentos como é que fica?


Ojuara das Beats: Não é a aparelhagem que faz a música, que vai fazer a produtora, é o quanto de conhecimento e criatividade que você tem. É preciso ver todo o equipamento como uma ferramenta, não como a solução perfeita dos seus problemas. Toda sua técnica, talento, musicalidade não pode se resumir a um instrumento mais caro.Então, a música tá no equipamento ou está em você?

 

Logo kza da vea Curtiu, queria mais? Acompanhe mais dos conteúdos do Kzadavea no seu canal de vídeos: Kzadavea Rec 

 

 

Img ojuara

 

 


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