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Dois Enganos Sobre o Anarquismo

26 de Outubro de 2017, 14:08 , por anarcksattack - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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                        Dois enganos sobre o anarquismo   t tulo

  Por: Ricardo Líper

A liberdade não é dada, ela é
conquistada. Não é só fazer o
que se gosta, porque até
uma cama macia pode fazer
você ser escravo dela.

 

A palavra anarquismo sempre foi alvo de interpretações muito diversas. Na maioria das vezes, veio associada à ideia da ausência de ordem e da bagunça. Logo, os anarquistas seriam aqueles que eram contra todo tipo de ordem, moral, ética etc. Mas a realidade que vemos é outra. O que vemos é que o anarquismo e os anarquistas propõem o oposto disso. A bagunça, a desordem, a falta de respeito ao outro e, portanto, nenhum tipo de ética, tendem a ocorrer quando não existe o anarquismo e os anarquistas.Desorganização, sob a ilusão de organização pelo terror, foi o nazismo, fascismo, stalinismo e, atualmente, são as Coreias e outros países como o nosso. A organização da corrupção e da miséria. Se lermos os escritores anarquistas mais conhecidos como Bakunin, Kopotkin, Malatesta, Emma Goldman e muitos outros, o que vamos encontrar é uma defesa sistemática da liberdade. A rejeição de qualquer dominação, sob qualquer pretexto, do homem pelo homem. Para efetuar e garantir essa liberdade, aquele que é anarquista deve passar pela importante transformação de praticar uma ética pessoal rigorosa. A liberdade de si não é só não ser escravo de outro, é também não ser escravo de si mesmo. E o que é ser escravo de si mesmo?

 

Se lermos os escritores
anarquistas mais conhecidos
o que vamos encontrar é uma
defesa sistemática da
liberdade.

 

A liberdade não é dada, ela é conquistada. E para se conquistar a liberdade é necessário se autogerir. Não é só fazer o que se gosta, porque até uma cama macia pode fazer você ser escravo dela. O mais importante não é só não ser escravo dos outros, mas também não ser escravo de si mesmo. Pior ainda é ser escravo das coisas através de si. Esse aprofundamento do anarquismo é que forma de fato o anarquista. Ser anarquista é saber ser livre dos dominadores, da natureza (quando ela é hostil) e de si mesmo, para não cair nas armadilhas das coisas. Pode ser desde uma cama macia, uma preguiça momentânea e até ser dominado pelo açúcar, sal, álcool, alimentos etc. Não é só a natureza. O homem descobre e cria, também para explorar o outro, todo tipo de coisas que ficam conspirando a cada minuto para fisgá-lo, como peixes, para possuí-lo e dominá-lo.

 

 

                                                                                             Dois enganos  tirirnha

  

Por isso a autoeducação libertária sempre foi tão importante para os anarquistas. Aprender a autogerir-se sendo o mestre e chefe de si mesmo. Isto não é muito fácil nem muito agradável. Até o açúcar e o sal podem se tornar nossos senhores. Não precisa ser um Hitler ou Mussolini, podem ser meros condimentos de cozinha. E aí talvez você me diga, mas e os prazeres de viver? O supremo prazer de viver é exatamente ser livre em relação ao açúcar, o sal e todo tipo de coisa que invada você o escravizando. E não podemos mais nem comer sal e açúcar? Podemos, se os ingerir quando quiser e não sentir falta deles. Isso porque treinou e lutou, como luta contra as injustiças sociais e quem lhe domina. Por incrível que pareça, o que pode dar o maior prazer é quando você diz: eu me governo. E quem se governa em geral vence.

 

Devido a isto, o anarquista deve ser inicialmente auto em tudo, porque é ele que determina a partir da autodisciplina, autodidatismo, autocontrole emocional e estratégia nas suas ações, a sua autogestão. Não entendam errado. Autodidata não é não ir às escolas ou universidades. Autodidata é ter autodisciplina para estudar por si. As escolas não anarquistas são autoritárias e você sendo disciplinado, emocionalmente controlado e estratégico, as atravessa e adquire os diplomas. Mas se ficar só nelas, fica ignorante porque quase todas nada ensinam. O diploma é uma convenção como a carteira de identidade. O resto você vai aprender por você mesmo e nos espaços libertários como bibliotecas comunitárias ou centros de cultura.

 

Através da organização
social horizontal e livre de
relações de dominação, é
possível a vida em sociedade
de forma coletiva e
igualitária.

 

A filosofia foi, em grande parte, a busca dessa autodisciplina. A ideia de se controlar os medos e desejos de maneira que o estado de prazer seja estável e equilibrado, com um consequente estado de tranquilidade e de ausência de perturbação é uma teoria filosófica grega conhecida como Epicurismo. Já a ideia de que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento e, portanto, seria virtuoso manter uma vontade que está de acordo com a natureza é conhecida como o Estoicismo. O anarquista Han Hyner acreditava que a liberdade política anarquista levaria ao Estoicismo.

 

 

                                                                                                    Dois enganos   imagem

 

Como podemos ver, o anarquismo em sua passagem ao longo da história se mostra muito mais como uma ideologia centrada na defesa da liberdade coletiva e individual, do que na desordem e na bagunça. Através da organização social horizontal e livre de relações de dominação, é possível a vida em sociedade de forma coletiva e igualitária. Já através do autoconhecimento e da autogestão o individuo pode assumir controle da sua própria vida, se libertando das dominações externas e das que estão dentro de si mesmo.

 

 

                                          Dois enganos   indica  es

 

 

 


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