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Hip Hop - A Periferia Segue em Resistência

4 de Maio de 2016, 18:49 , por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Hip Hop
A Periferia Segue em Resistência

 

Desde pequenos somos treinados a não enxergar o que acontece sob nossos olhos, perspectivas pra valorizar o que nos empurram goela a baixo. Crescemos mal alimentados, ingerindo um cardápio que nos deixa resignados, alienados, produção em série de valores importados. Aos poucos e por diferentes caminhos enxergamos a malícia, a mentira fabricada. Assim, nos damos conta da importância em se enfiar o dedo na ferida. Nessa edição, um diálogo aberto com artistas da periferia, entendendo um pouco mais das dificuldades e das conquistas em resistir e produzir aquilo que verdadeiramente se acredita. No bairro de Cajazeiras, conversamos com Nid e Jhoy que compõem a Apologic MC's, e o Bboy Makito.

 

Nid_e_jhoy

 

Nid: A Apologic começou em 2009, a princípio a gente tinha uma ideia muito diferente do que é agora. Então foi um processo meio que lento, assim, de a gente tomar aquele choque de realidade. Através da caminhada, a gente observando os familiares próximos falecendo, a dor dos vizinhos com a opressão da polícia, o descaso do governo com o nosso bairro, a dificuldade que a gente enfrentava e enfrenta até hoje por ser negro e morar na periferia. A gente foi criando um senso de justiça, de estar podendo relatar esses acontecimentos através da música.

Makito: Há pouco tempo eu fiz um evento com um amigo chamado Nelson Vilaronga a gente fez um evento ali na barra chamado “Uma roda de conversa”. O tema era “Por uma cor a mais em minha alma” esse tema foi ele que bolou essa ideia. A gente tava com esse seguimento, de já ta desgastando já essa parada das intolerâncias, racial e de gênero, sabe? As pessoas não estão conseguindo respeitar o espaço das outras... E isso de certa forma vai criando movimentos como esse de trazer uma nova perspectiva, de mostrar a essas pessoas que existe todo um outro mundo diferente onde as pessoas se aceitam como elas são, sacou? A gente passou um video falando sobre uma tribo Pataxós daqui da Bahia mesmo, e ai foi muito interessante porque já trouxe coisas que eu não sabia, que essa tribo Pataxó já tinha passado por um massacre, que morreu mais de 50 cabeça dessa tribo. E eu vejo esse momento aqui dessa mesma forma. São os momentos pra gente pôr uma cor a mais a nossa alma mesmo, velho, de começar a entender o nosso colega e entrar na briga deles também, tá ligado?

Café Preto: Pensando no cenário underground hoje na Bahia, o que é que tem de tabu aí?

Nid: Rapaz eu acho que aqui o que impera muito é a hipocrisia, porque independente do estilo musical a galera tem aquela onda da rivalidade de "se eu ver um cara apresentando um som com qualidade eu não vou ficar feliz pela evolução dele e sim olhar ele como um concorrente". "Então o que eu tiver de novo eu não vou querer passar pra ele, porque ele pode aprender e melhorar ainda mais". Então existe esse receio de você fazer parceria com outras pessoas. Porque na minha visão, você podendo passar informação e receber outra é como se você adquirisse outra visão, é outro campo de visão você tá entendendo? Outro ponto de vista que você não teria enxergado, e que a pessoa já tem, e essa troca de informação poderia fazer esse núcleo crescer mais e mais. Mas enquanto essa galera ficar nessa de individualidade e olhar outro grupo como rival eu acho que isso aqui não vai crescer pra lado nenhum
Lata_spray

Jhoy: As vezes a gente acha que porque a galera tá gritando nosso nome, a gente tá em cima do palco, ou a gente tá promovendo alguns eventos, as vezes a gente acha que já tá no topo da cadeia, e sendo que a gente não tá fazendo porra nenhuma pela periferia que a gente diz que vai defender. Que a gente jurou defender, que a gente jurou lutar com as nossas letras e nossos beats. Hoje em dia o rap se define em bons flows, boas beats e esquecendo o conteúdo... tem que ser a beat mais louca, o estilo mais louco, a letra mais louca, e o conteúdo man? Como é que a gente vai reabilitar os moleques? Como é que a gente vai parar essa guerra que tá acontecendo?


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