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Quando perguntam se os anarquistas devem votar em Haddad

18 de Outubro de 2018, 15:37 , por anarcksattack - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Por Campos Roxos

 

1- O posicionamento das organizações que possuem atuação prática e produção de conteúdo não tem sido de “isenção” como nos acusam os que optaram pela Campanha de Haddad, anarquistas organizados têm compartilhado análises de conjuntura, mantido suas atividades e alertado massivamente para o perigo do programa autoritário e ultra-liberal de Bolsonaro;

 

2- O protofascismo insurgente da nossa fragmentação ideológica, das condições precárias de vida e trabalho acirradas pela crise (inflação, desemprego, legislação flexível, etc) e de um descontentamento generalizado que se expressa num anti-petismo/anti-esquerdismo, construído pelos veículos de comunicação, não será barrado mediante eleição do Haddad;

 

3- Campanhas eleitorais, sabemos, reforçam a ideia de que a liderança ou representante político é capaz de “resolver” os problemas estruturais que enfrentamos, o que reduz a potencialidade do que defendemos como uma organização social das massas num federalismo libertário - não é irrelevante considerar que é justamente o voto que está prestes a eleger o Bolsonaro, candidato autoritário e ultra-liberal;

 

4- Não atuar em campanhas eleitorais não nos impede de construir redes e frentes numa perspectiva anti-autoritária e anti-capitalista. O problema atual é que a grande esquerda pactuou numa unidade na prática em torno apenas da campanha eleitoral, enquanto a tarefa mais desafiante seria voltar-se contra a política de austeridade e os ditames do mercado, do setor financeiro e do agronegócio;

 

5- Crises econômicas são sempre oportunidades políticas. Bolsonaro, como piada que virou mito, é um dos resultados disso, então precisamos nos preparar para todos os cenários possíveis. Considerando que a Campanha do PT surta o efeito esperado - dois destes cenários são: se Haddad conseguir se eleger e manter algum compromisso com a revogação das reformas implantadas por Temer, pode haver um golpe em curto ou médio prazo amparado por teorias conspiratórias sobre fraude eleitoral; se Haddad conseguir governar, será aplicada a mesma agenda que vem sendo pressionada sobre as costas dos que trabalham, com anti-petismo ganhando mais força, e nossas capacidades organizativas sendo degradadas em  favor da “blindagem” do governo – nos dois casos estaremos sujeitos à repressão;

 

6- Não somos centralistas (democráticos ou não), então pouco interessa se vão votar ou não no Haddad, fazer ou não campanha. Não temos unidade teórica (o que talvez favorecesse uma atuação mais articulada), mas temos unidade ideológica, todos concordamos que nossas tarefas extrapolam as eleições. Independente do resultado eleitoral, é importante a autocrítica de que temos falhado em nosso federalismo libertário: somos pequenas organizações com poucos militantes que não tem exercitado a solidariedade e a troca de experiências na prática – isto nos coloca sujeitos a um isolamento político em nossos territórios, o que se reflete na dificuldade de disputar ideologicamente os próximos passos para barrar o avanço das privatizações e precarização e, no limite dos casos, sujeitos também a uma violência cada vez mais sistemática.

 

Immagine ferrer


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