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Café bom é café forte!

29 de Agosto de 2015, 18:41 , por Rodrigo Souto - 33 comentários | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Café preto. Forte, pelando e sem açúcar. Aquele que vai te fazer levantar, mesmo quebrado, para mais um dia de pauleira. Aquele que vai te esquentar quando o tempo fecha e você ainda tem que acordar às 5 horas. Aquele que vai segurar as pontas quando você tem que pegar hora extra no trampo. Aquele que vai te acordar mesmo depois de uma longa noite mal dormida.


E é como uma noite mal dormida que tem sido a vida dos baianos nessa terra bonita onde de tudo dá. O problema é que pelo jeito só tem dado para os que estão nos gabinetes, nas coberturas, nas novelas, nos camarotes e nas propagandas políticas. Se você não foi devidamente recepcionado ainda, seja bem-vindo à Bahia. Quarto estado mais populoso do Brasil. Condições terríveis de saneamento básico. Transporte cada vez mais caro, escasso e lotado. Escolas sem carteira e sem giz. Hospitais caindo aos pedaços. Falta trabalho, falta casa, falta alimento, em breve faltará água. Falta de tudo. A cena é triste e é uma cena que quem mora aqui infelizmente já se acostumou a ver. Ver na real, mas não na televisão ou no jornal. 


Nos meios de comunicação, a Bahia é sempre linda, meu rei! É tanta gente correndo, pulando, sorrindo e comendo acarajé que às vezes parece que as coisas aqui não estão tão ruins assim. É uma pena que a ilusão só dura até você colocar o pé para fora de casa (ou nem isso). Na falta de tanta coisa básica para uma vida digna, falta também vergonha na cara dessa mídia que não se dá minimamente o trabalho de esconder a sua postura opressiva e o seu papel alienador. Só se noticia a morte, a alegria, os direitos e os problemas dos que estão no poder. Só se defende o ponto de vista de quem está no poder. Só se debate os interesses de quem está no poder. Poder. É e sempre foi a palavra de ordem dela.
Vivemos em um novo estilo de censura instaurado. É censura por ofuscação. Eles não precisam mais te proibir de falar a verdade, eles simplesmente bombardeiam a verdade deles 1000 vezes mais alto, 24 por 7, usando de todo o seu controle das vias de comunicação. Você grita e esperneia o quanto pode, mas ninguém consegue te escutar. Para todo o lado que você corre, vai ter um outdoor, uma revista, um jornal, uma televisão, enfim; um tentáculo dessa grande mídia lhe dizendo o que fazer, no que acreditar e pra quem você tem que entregar seus direitos e sua força de trabalho. Já deu, parceiro! Chega de pão e circo. Até porque o pão nem sempre chega e o circo é de horrores.


O Café Preto é um jornal que vem para falar aquilo que todo mundo tá vendo, mas que a imprensa faz questão de fazer de conta que não existe. Um jornal pra dar voz àqueles que já ficaram roucos de gritar pro vazio. Um jornal pra informar as pessoas das coisas que estão acontecendo e realmente influenciando as suas vidas. Feito pra bater de frente com uma mídia elitizada, sensacionalista e manipuladora que a cada matéria idiotiza a população e enfraquece a nossa força de organização. Pra mostrar que a gente pode construir a nossa própria realidade sem depender da caridade deles. Pra dar destaque a quem vive esquecido da sociedade. Pra compartilhar ações e estratégias de fortalecimento das pessoas que deram certo em outros lugares. Pra relembrar ao povo baiano do sangue quente que corre nas suas veias e do seu espírito guerreiro que não abaixa a cabeça pra ninguém.


"Vamo acordar, vamo acordar. Porque o sol não espera". Não espera não, meu bróder. O bicho tá pegando pra todo lado, mas "eu sou mais você nessa guerra". E quando a força abalar e a fraqueza bater, seu bom e velho cafezinho preto você já sabe onde encontrar. Poder ao Povo!


33 comentários

  • 381c62cf6b4a6584aec60b828148651f?only path=false&size=50&d=404Genival Silva (usuário não autenticado)
    6 de Janeiro de 2016, 17:51

    Discurso marxista

    Olá! Embora exista afirmação de um jornal anarquista, as frases, possivelmente, são de cunho marxista. Vamos as frases:
    "Poder ao Povo!", entregar seus direitos e sua "força de trabalho" e outras. Estas frases parecem adaptada do Manisfesto do Partido Comunista de 1848 de Marx e Engels. Diante disto pergunto: O discurso anarquista possui cunho marxista?


    • 7a4475f474eaca7a3d7b6c77a848f116?only path=false&size=50&d=404Café-Preto(usuário não autenticado)
      10 de Março de 2016, 19:45

       

      Olá Genival, nos desculpe pela demora em responder.
      Agradecemos pela colaboração e provocação. O Café-Preto entende que terminologias são incorporadas em diferentes dimensões e ao longo de variados momentos da dinâmica histórica. Algumas alcançam o estatuto de conceito, categorias, outras constituem expressões menos precisas e mais flexíveis diante dos múltiplos sujeitos que as empregam. O que nos preocupa, a partir do que foi colocado, é a institucionalização de termos como se eles fosse prisioneiros de uma corrente ideológica específica. Utilizamos e pretendemos continuar a utilizar àquelas expressões que julguemos mais adequadas para expressar os anseios e vislumbres daquelxs que estão em resistência ao capitalismo enquanto sistema gerador de desigualdades. Quanto a sua pergunta final, deixamos ao sabor das apreensões e das pesquisas individuais, pois tal resposta, sobretudo em um meio virtual de diálogo, poderia suscitar e reforçar um diálogo baseado em retóricas e citações as quais não entendemos ser frutíferas nem condizentes com o lugar que nos colocamos nos enfrentamentos e posturas das lutas sociais. E mais, poderia favorecer a falsa ideia de que temos acordos e convergências em todas as dimensões da perspectiva anarquista, seja enquanto ideologia, tática, estratégia, bem com com sua respectiva relação com outras filosofias políticas, para usar outra expressão. Assim como o anarquismo, somos múltiplos e apreendemos as dinâmicas sociais a partir de diversos olhares. Nosso “quem somos” representa de forma satisfatória o nosso lugar de reflexão e ação, nossa perspectiva organizacional. Continue conosco, sinta-se a vontade para continuar a colaborar.


    • Bd40476e410ce557c660ff38cc9911c8?only path=false&size=50&d=404Edson Ricardo Junior(usuário não autenticado)
      24 de Março de 2016, 5:15

       

      Opa Genival, vários destes termos em muito de fato estão ligados com a teoria de luta de classes e econômica de Marx e Engels, outros historicamente já vinham sido utilizados antes mesmo destes dois se debruçarem à fundo sobre a questão da exploração capitalista. "Poder ao povo!" é um conceito corrente e está ligado com o próprio desenvolvimento desta noção que é a Democracia não é mesmo?

      Mas bem, onde eu queria chegar:
      No meu entender o Anarquismo acabou sim incorporando muitos elementos da teoria marxista, tais como a noção estabelecida de luta de classes, a explicação econômica fornecida por este e etc. Pela utilidade de explicação prática de nosso cotidiano. Mas isto não quer dizer que o Anarquismo possui cunho Marxista em todas as suas dimensões.
      Na realidade pode-se dizer que a formação da alcunha Anarquista é muito ligada com a diferenciação dos métodos pregados por estes dos métodos pregados por Marx.

      É interessante ler a história do surgimento e como funcionou a AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores) e verás logo do que se trata. Bakunin e Marx por exemplo tiveram entraves no seio desta associação que acabaram por moldar os rumos da história, eu diria.

      To divagando, em suma:
      O anarquismo incorporou vários elementos elaborados por Marx. Mas não pode ser chamado de marxista por que difere igualmente em muitos sentidos (como Anarquista: gosto de achar que pegamos o útil e salutar deste conjunto gigante de ideias que generaliza-se sobre a alcunha de "marxismo").


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