Ir para o conteúdo
café
preto
acordando
para a luta
ou

Rio dos Macacos

Confira as fotos da visita do Café Preto ao quilombo!

 Voltar a A Conquista ...
Tela cheia Sugerir um artigo

Sobrevivendo Sem Patrões

18 de Maio de 2016, 21:09 , por Rodrigo Souto - 1Um comentário | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
Visualizado 414 vezes

Veja como essa matéria saiu na versão impressa aqui no PDF


 Sobrevivendo Sem Patrões
Cooperação e solidariedade como modo de vida

Desde que nascemos, já chegamos ao mundo endividados. Não temos um lar para chamar de nosso, um trabalho garantido, ou um palmo de terra para plantarmos. Nascemos devendo a nós mesmos a conquista do pão, do teto, do prato de comida, tudo isto à base de muito trabalho, suor e economias. Mas se nascemos em dívida, estamos devendo a quem?

Primeiro, dizem que somos egoístas por natureza, competitivos e que o lema de nossas vidas deve ser “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Depois nos fazem acreditar que precisamos atropelar os nossos semelhantes, ser mais bem sucedido. Fazem-nos acreditar que para trabalhar e produzir precisamos de um patrão, alguém que aperte nossa mente e viva de cara feia, pois senão tudo viraria uma bagunça, uma guerra de todos contra todos. Querem de alguma forma nos empurrar goela abaixo a sensação de que temos um defeito de fábrica, e que por mais que a gente tente trabalhar sem patrões, na base da solidariedade e da cooperação, jamais conseguiremos.

Com essa conversa fiada, somos facilmente escravizados, pois se acreditamos que precisamos de alguém para nos governar estaremos sempre procurando as ordens de alguém, domados como uma ovelha mansa que se submete ao seu dono para não se sentir perdida, sem saber que este dono, na verdade, só quer roubar sua carne, sua lã e sua vida. E então cada vez mais os patrões, empresários, políticos e banqueiros fazem a festa!

Eles roubam de nós os nossos direitos de termos uma moradia, alimentação, saúde, trabalho e lazer e depois se prestam ao papel de dizer que estão vendendo para nós tudo isso que um dia tiraram da gente à base da força, exploração e violência. E então, o que acontece depois?

Nesse jogo de cartas marcadas, quem sempre marca ponto são os bancos, os patrões, políticos, as empresas e o Estado. É por isto que já nascemos endividados, pois já nascemos sendo roubados. O pior ainda é que se você não tem dinheiro, eles não terão interesse em você, não consertarão a sua rua, não melhorarão sua saúde pública, jamais garantirão sua segurança e nunca darão aquele trato de verdade no transporte público do seu bairro. Não precisamos ir longe.

Compare como andam os bairros de periferia com os bairros da Barra, Ondina ou Pituba, por exemplo. Se você é de periferia, saiba que não lembrarão de você, a não ser quando precisarem do seu voto ou quando precisarem de alguém desesperado por um mísero salário para fazer o trabalho pesado de consertar as ruas da Pituba, fazer faxina e cuidar dos filhos das patroas da Barra ou limpar as ruas da Ondina durante o carnaval para gringo ver. E você então se pergunta: neste jogo, quando será ponto para nós?

Como fazer com que o nosso trabalho, o nosso suor, não alimente aquelas pessoas, empresas e instituições que nos exploram?
Pois é... para marcarmos este ponto, precisamos é sair deste jogo e criar nós mesmos as regras de nossas próprias vidas, nos organizando de forma igualitária com base numa economia solidária e consciente.

Acha isto difícil? Pois bem, o Café Preto, sempre atento às iniciativas cooperativas e solidárias, vem mostrar que este laço comunitário, esse apoio-mútuo, é uma cultura que existe e que não é difícil de encontrar, sem patrões para apertar a mente, sem bancos roubando nossos recursos, políticos nos enganando com promessas eleitorais e do governo sugando a nossa alma, pondo nossa vida em dívida.

A equipe do Café Preto entrevistou João Paulo, integrante da Cooperativa Rango Vegan, um restaurante de comida 100% vegetariana vinculada a uma filosofia de libertação das pessoas e dos animais, localizado na Rua do Passo, no Pelourinho, para saber um pouco mais sobre esta forma solidária de trabalhar. Vejam o que rolou!Rv1Café Preto: O que é uma cooperativa? Como ela se organiza e funciona?

João Paulo: Cooperativa é uma associação de pessoas que se organizam de forma democrática, para um fim lucrativo, sem patrão ou líder, onde os cooperados tomam as decisões democraticamente ou em consenso, respeitando as decisões e ideias dos indivíduos. Onde o trabalho e o lucro obtido são divididos igualitariamente, ou em acordos pré-estabelecidos entre os cooperados.

Café Preto: Qual a diferença entre trabalhar em cooperativa e trabalhar como empregado de alguém?

Rv3
João Paulo: Ser cooperado é ter autonomia sobre seu trabalho, sobre suas decisões e consequências. É ser parte da sua produção e do seu lucro, sem ter a pressão de um emprego formal, com normas de vestimentas rígidas, horários e metas estabelecidas, muitas vezes sem negociação, serviços impostos, independente das condições de trabalho e de saúde dos funcionários. Lembrando que mesmo em cooperativa, temos muito trabalho e metas a cumprir, sendo diferente do emprego com patrão, por ser organizado de forma horizontal ou em acordo, e não imposta.

Café Preto: Como o aprendizado do trabalho em cooperativa mudou a sua vida pessoal?

João Paulo: Por ter ideias anarquistas e libertárias, a forma de organização cooperada, serviu e serve de laboratório, para por em prática o que aprendemos em teoria. Procuro levar pra outros projetos de vida a mesma forma de organização e práticas, tendo em vista que, o trabalho cooperativado é ligado a muitas questões éticas, que faz com que a prática do trabalho em cooperativa se torne mais parte do seu cotidiano e vice versa.

Café Preto: Acha que as cooperativas possuem um papel importante na construção de uma outra sociedade?

João Paulo: Com certeza! O trabalho cooperativado é uma forma de organização totalmente diferente do modelo imposto pelo capitalismo. Por mais que uma cooperativa tenha fins lucrativos, ela se organiza e funciona de maneira igualitária e justa, onde o produtor é dono do que produz, tendo autonomia de escolhas, direitos e deveres. Mas sempre sendo responsável direto sobre suas ações, tornando o trabalho mais justo e ético para todos, tendo autonomia sobre seu tempo e sua vida.

Mesmo diante de todos os problemas que vivemos, da exploração que é o nosso trabalho, do pobre salário que ganhamos, da batalha que é sustentar uma família, essas cooperativas solidárias podem ser um caminho para se pensar em outra forma de viver, de trabalhar e de se organizar. Já deu uma olhadinha na coluna "Colé de merma"? A solidariedade esté por todas as partes!

Já pensou? Trabalhar em clima de igualdade e autoestima, de uma forma mais justa e sem patrões enchendo o nosso saco? Tome um café e reflita sobre o assunto!

 

Joaozinho

João Paulo é vegano, integrante da Cooperativa Rango Vegan e baterista da  banda Culinária Guerrilha!

Veganismo 

O QUE É O VEGANISMO?

O veganismo é a defesa do direito à vida livre para todos os seres vivos e o compromisso individual de combater toda forma de dominação que impeça este direito. Esse combate pode vir na forma de boicote ao consumo de produtos originários de exploração e assassinato de animais (como carne, ovos, leite, peles etc.), disseminação de informação sobre, ação direta na libertação de animais aprisionados, construção de cadeias de produção alternativas e isentas de exploração, dentre outras formas. Ser vegano é assumir a sua responsabilidade nessa exploração e travar uma luta cotidiana pela a libertação de todos os seres vivos.


1Um comentário

  • B59fea5e2b6c2be65ee4da620b754d7f?only path=false&size=50&d=404Tuca Costa(usuário não autenticado)
    19 de Maio de 2016, 15:46

     

    Entrevista esclarecedora.
    Estou percebendo que, nas formas alternativas de comportamento e educação, são os locais que verdadeiramente entendemos e agimos "humanizando" o que é HUMANO e "animalizando" o que é ANIMAL.
    Como tudo isso é a mesma coisa, ligadas à mesma fonte da vida se reflete em amor por todas as coisas.
    Amor pela vida.


Enviar um comentário

Os campos são obrigatórios.

Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.