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O sindicato somos nós!

4 de Novembro de 2015, 0:33 , por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

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Não, o sindicato não significa apenas um desconto anual no seu contra cheque ou não é apenas o lugar onde você deve ir homologar quando amarram sua lata, isto é, quando você é demitido. O sindicato não é só um diretor sindical, que está sentado em uma mesa há 30 anos, decidindo quais são suas reivindicações sem ao menos consultar você e às suas companheiras e companheiros de trabalho. O sindicato não se resume a este diretor que aperta a mão do patrão quando lhe é conveniente ou que lhe diz que fazer greve é muito complicado. Então, o que seria esse tal sindicato? E eu lhes respondo: o sindicato somos nós!

O sindicato é a principal arma de defesa do trabalhador contra a exploração do patrão.  Ao longo do tempo, a classe trabalhadora construiu importantes organizações de luta. Primeiro, surgiram às caixas de ajuda mútua nos séculos 18 e 19, que tinham por finalidade fomentar obras assistenciais de ajuda financeira entre trabalhadores, nos problemas de saúde, acidentes, dentre outros. Estas foram às primeiras formas de organização da classe trabalhadora. E foi a partir destas Caixas, começaram a surgir os primeiros sindicatos.
 
O objetivo dos sindicatos é preserva  r as conquistas obtidas pela união das trabalhadoras e dos trabalhadores e organizar a luta para outras vitórias. Devemos entender que não existe sindicato sem os trabalhadores. Um sindicato forte significa trabalhadores unidos, um sindicato combativo, significa que a união dos trabalhadores está se fazendo ser ouvida, independente de diretores oportunistas que estão sempre atrelados a interesses políticos distantes de nossas posições enquanto trabalhadores. Para ilustrar isso de maneira mais concreta, em maio de 2014 durante a greve dos rodoviários, que parou Salvador por alguns dias, a direção do sindicato dos rodoviários sentou para negociar como os patrões, e fechou um acordo péssimo para a categoria, sem quase nenhum ganho efetivo para a classe. Além disto, ainda de maneira totalmente arbitraria, o sindicato desrespeitou o que em assembleia foi pedido pelos trabalhadores. A base dos rodoviários revoltada com essa atitude, de maneira legítima, resolve passar por cima do que foi dito pela direção e decreta greve, optando em continuar pressionando as empresa e lutando por um acordo que atendessem de forma mais real suas urgência.

Esta revolta dos trabalhadores rodoviários mostra que há uma nova disposição para as lutas. Em Salvador, como em outras cidades, os trabalhadores se mostram capazes de organizar suas próprias lutas para além das burocracias sindicais. E se somos capazes de organizar a nossa própria luta, também seremos capazes de organizar todo o sistema produtivo.

A organização livre dos trabalhadores sempre foi algo temido. Por isso, visando engessar a combatividade dos sindicatos livres, o Estado, no início do século 20, sentiu a necessidade de criar uma legislação que subordinasse as lutas dos trabalhadores aos regulamentos do governo. E então, ao passo que os sindicatos começavam a ser regulamentados, começava também o agravamento da sua burocracia e hierarquização, surgindo então uma casta privilegiada de líderes e dirigentes que parasitam até hoje as organizações sindicais em seu próprio benefício, e usam a estrutura desses sindicatos para defender e promover seus partidos políticos, e transformando as bases sindicais em verdadeiros currais eleitorais. Esta classe, teoricamente utiliza uma linguagem de reivindicações, de defesa da classe trabalhadora, mas ficam apenas no discurso, pois na pratica não organizam a categoria e não encaminham as lutas consequentes. Quando encaminham, são por meros interesses eleitoreiros, ou por serem pautas ligadas ao alinhamento com seus partidos políticos, esquecendo totalmente as nossas urgências e as nossas pautas de reivindicações.

Isso só mostra como não podemos esperar nada das direções sindicais atrasadas e seus dirigentes oportunistas, sempre atrelados aos patrões e aos políticos! Precisamos reconstruir uma alternativa sindical autônoma, que expulse, pela força da união dos trabalhadores, os pelegos dos sindicatos e acabe com a estrutura que atrela o sindicato ao governo! Precisamos defender um sindicalismo de base, onde o sindicato é resultado das decisões do conjunto da categoria e não de burocratas que estão totalmente descolados de nossa realidade e que não estão nem um pouco preocupados com nossas melhorias de condições de trabalhos. Devemos tomar o protagonismo de nossas lutas, pois é pelo acumulo de nossas forças e pelo poder de nossas mobilizações que podemos enfrentar os patrões, e seus jogos de poder, inclusive as injustas decisões judiciais a serviço deles e do governo. É pela nossa força coletiva que podemos alcançar as vitorias que almejamos. Não podemos perder nosso desejo de mudança! Que cada luta, cada piquete, cada greve, com suas derrotas e suas vitorias, possam fortalecer a ideia que um mundo novo é possível. Um mundo onde o suor de nossa testa não banque a festa dos ricos, onde nosso grito abafado finalmente ecoe como rugido estrondoso de liberdade.

 


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