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24 de Fevereiro de 2015, 21:17 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Quando perguntam se os anarquistas devem votar em Haddad

aproximadamente 2 meses, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

Por Campos Roxos

 

1- O posicionamento das organizações que possuem atuação prática e produção de conteúdo não tem sido de “isenção” como nos acusam os que optaram pela Campanha de Haddad, anarquistas organizados têm compartilhado análises de conjuntura, mantido suas atividades e alertado massivamente para o perigo do programa autoritário e ultra-liberal de Bolsonaro;

 

2- O protofascismo insurgente da nossa fragmentação ideológica, das condições precárias de vida e trabalho acirradas pela crise (inflação, desemprego, legislação flexível, etc) e de um descontentamento generalizado que se expressa num anti-petismo/anti-esquerdismo, construído pelos veículos de comunicação, não será barrado mediante eleição do Haddad;

 

3- Campanhas eleitorais, sabemos, reforçam a ideia de que a liderança ou representante político é capaz de “resolver” os problemas estruturais que enfrentamos, o que reduz a potencialidade do que defendemos como uma organização social das massas num federalismo libertário -não é irrelevante considerar que é justamente o voto que está prestes a eleger o Bolsonaro, candidato autoritário e ultra-liberal;

 

4- Não atuar em campanhas eleitorais não nos impede de construir redes e frentes numa perspectiva anti-autoritária e anti-capitalista, o problema atual é que a grande esquerda pactuou numa unidade na prática em torno apenas da campanha eleitoral, enquanto a tarefa mais desafiante seria voltar-se contra a política de austeridade e os ditames do mercado, do setor financeiro e do agronegócio;

 

5- Crises econômicas são sempre oportunidades políticas. Bolsonaro, como piada que virou mito, é um dos resultados disso, então precisamos nos preparar para todos os cenários possíveis e considerando que a Campanha do PT surta o efeito esperado - dois deles são: se Haddad conseguir se eleger e manter algum compromisso com a revogação das reformas implantadas por Temer, pode haver um golpe em curto ou médio prazoamparado por teorias conspiratórias sobre fraude eleitoral; se Haddad conseguir governar, será aplicada a mesma agenda que vem sendo pressionada sobre as costas dos que trabalham, com anti-petismo ganhando mais força, e nossas capacidades organizativas sendo degradadas em  favor da “blindagem” do governo – nos dois casos estaremos sujeitos à repressão;

 

6- Não somos centralistas (democráticos ou não), então pouco interessa se vão votar ou não no Haddad, fazer ou não campanha. Não temos unidade teórica (o que talvez favorecesse uma atuação mais articulada), mas temos unidade ideológica, todos concordamos que nossas tarefas extrapolam as eleições. Independente do resultado eleitoral, é importante a autocrítica de que temos falhado em nosso federalismo libertário: somos pequenas organizações com poucos militantes que não tem exercitado a solidariedade e a troca de experiências na prática – isto nos coloca sujeitos a um isolamento político em nossos territórios, o que se reflete na dificuldade de disputar ideologicamente os próximos passos para barrar o avanço das privatizações e precarização e, no limite dos casos, sujeitos também a uma violência cada vez mais sistemática.

 

Immagine ferrer



Por que anti-autoritários são diagnosticados como mentalmente doentes

8 meses, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

Por que anti-autoritários são diagnosticados como mentalmente doentes

 

Por Bruce Levine, psicólogo e ativista americano, em 26 de fevereiro de 2012. Clique aqui para o original em inglês.

 

Na minha carreira como psicólogo, conversei com centenas de pessoas previamente diagnosticadas por outros profissionais como sofrendo de transtorno desafiador de oposição, transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, transtorno de ansiedade e outras doenças psiquiátricas, e eu me impressiono com (1) quanto desses diagnosticados são essencialmente anti-autoritários e (2) como os profissionais que os diagnosticaram não são.

Anti-autoritários questionam se uma autoridade é legítima antes de levarem tal autoridade a sério. Avaliar a legitimidade de autoridades inclui aferir se tais autoridades realmente sabem do que estão falando ou não, se são honestas e se importam com as pessoas que respeitam tal autoridade. E quando anti-autoritários determinam que tais autoridades são ilegítimas, desafiam e resistem a essa autoridade – algumas vezes agressivamente e outras passiva-agressivamente, algumas vezes sabiamente e outras não.

Alguns ativistas lamentam quão poucos anti-autoritários parecem haver nos Estados Unidos. Uma razão pode ser que tantos anti-autoritários naturais são hoje psicopatologizados e medicados antes que alcancem consciência política das autoridades mais opressivas na sociedade.

Por que profissionais da saúde mental diagnosticam anti-autoritários como sofrendo de doenças mentais

Ser aceito no curso de graduação ou no curso de medicina e alcançar doutorado ou mestrado e tornar-se psicólogo ou psiquiatra significa entrar nos esquemas, os quais requerem bastante obediência comportamental e de atenção a autoridades, até mesmo aquelas às quais não se tem respeito. A seleção e socialização de profissionais da saúde mental tende a excluir muitos anti-autoritários. Tendo trilhado o terreno da educação superior por uma década de minha vida, sei que diplomas e credenciais são primariamente distintivos de obediência. Aqueles com pós-graduação viveram por muitos anos num mundo no qual conforma-se rotineiramente com as exigências das autoridades. Logo, para muitos doutores e mestres, pessoas diferentes deles, que rejeitam tal obediência comportamental e atentiva parecem ser de outro mundo – um mundo diagnosticável.

Tenho visto que muitos psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde mental são não apenas extraordinariamente obedientes às autoridades, mas também ignorantes da magnitude de sua obediência. E também ficou claro para mim que o anti-autoritarismo dos seus pacientes cria enorme ansiedade para tais profissionais e que sua ansiedade é combustível para diagnósticos e tratamentos.

No curso de graduação, descobri que tudo que é preciso para ser rotulado como tendo “problemas com autoridade” era não puxar o saco de um diretor de treinamento clínico cuja personalidade era uma combinação de Donald Trump, Newt Gingrich e Howard Cosell. Quando algum acadêmico me disse que tinha “problemas com autoridade”, tive sentimentos contraditórios por ser tachado de tal forma. Por um lado, achei engraçado, pois junto os rapazes da classe trabalhadora com quem cresci, eu era considerado relativamente obediente a autoridades. Afinal, I fazia meu trabalho de casa, estudava e tirava boas notas. Porém, enquanto meu novo rótulo de “problemas com autoridade” me fazia rir, pois agora eu era visto como um “bad boy”, também me preocupava com em que tipo de profissão eu tinha entrado. Especificamente, se alguém como eu tinha sido rotulado como tendo “problemas com autoridade”, de que chamariam os garotos com quem cresci, que prestavam atenção a várias coisas que lhes interessavam, mas não se importavam o suficiente com a escola para obedecer lá? Bem, a resposta se tornou clara em breve.

Diagnósticos de doença mental para anti-autoritários

Um artigo da Psychiatric Times de 2009 intitulado “TDDAH e TDO: Confrontando os desafios do comportamento disruptivo” relata que “transtornos disruptivos”, que incluem transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDDAH) e transtorno desafiador de oposição (TDO), são os problemas de saúde mentais mais comuns em crianças e adolescentes. TDDAH é definida por atenção pobre e distração, auto controle pobre e impulsividade, e hiperatividade. TDO é definida como um “padrão de comportamento negativo, hostil e desafiador sem as violações mais sérias dos direitos básicos de outros que são vistos no transtorno de conduta”; e os sintomas de TDO incluem “geralmente desafiam ativamente ou recusam-se a obedecer pedidos ou regras de adultos” e “geralmente discutem com adultos”.

Psicólogo Russel Barkley, uma das principais autoridades mainstream em TDDAH, diz que aqueles afligidos com TDDAH têm deficits no que ele chama “comportamento governado por regras”, já que são menos responsivos a regras das autoridades estabelecidas e menos sensíveis a consequências positivas ou negativas. Jovens com TDO, de acordo com autoridades mainstream da saúde mental, também possuem tais ditos deficits em comportamento governado por regras e portanto é extremamente comum para jovens terem o duplo diagnóstico de TDDAH e TDO.

Queremos mesmo diagnosticar e medicar todos com “deficits em comportamento governado por regras”?

Albert Einstein, quando jovem, provavelmente teria recebido um diagnóstico de TDDAH e talvez de TDO também. Albert não prestava atenção a seus professores, reprovou duas vezes no exame de admissão universitário e tinha dificuldade em manter trabalhos. Porém, o biógrafo de Einstein Ronal Clark (Einstein: The Life and Times) avalia que os problemas de Albert não vinham de deficit de atenção mas de seu ódio pela disciplina prussiana autoritária em suas escolas. Einstein dizia, “Os professores no primário pareciam a mim como sargentos e os do ginásio, tenentes.” Aos 13 anos, Einstein lia a difícil Crítica da Razão Pura de Kant – porque se interessava por ela. Clark também nos conta que Einstein recusou-se a se preparar para os testes de admissão universitária como uma rebelião contra o caminho insuportável de seu pai numa “profissão prática”. Após entrar para a universidade, um professor disse a Einstein, “Você tem um defeito: não se pode dar ordens a você.” Justamente as características de Einstein que tanto aborreciam autoridades eram exatamente aquelas que permitiram sua excelência.

Nos padrões de hoje, Saul Alinsky, organizador lendário e autor de Reveille for Radicals e Regras para Radicais, certamente teria sido diagnosticado com um ou mais transtorno disruptivo. Lembrando-se de sua infância, Alinsky disse, “Eu nunca pensei em andar sobre a grama até que vi uma placa dizendo ‘Fique longe da grama’. Então eu pisava nela toda.” Alinsky também lembra da vez quando tinha 10 ou 11 anos e seu rabino o ensinava hebraico:

Num dia em particular eu li três páginas seguidas sem nenhum erro de pronúncia e, de repente, uma moeda caiu sobre a bíblia… No dia seguinte o rabino chegou e me mandou ler. E eu não lia; apenas fiquei sentado lá em silêncio, me recusando a ler. Ele me perguntou porque estava tão quieto e eu disse. “Dessa vez é uma prata ou nada”. Ele levantou os braços e me jogou através da sala.

Muitas pessoas com ansiedade e/ou depressão severa também são anti-autoritários. Geralmente uma das dores principais de suas vidas que alimenta sua ansiedade e/ou depressão é o medo de que seu desprezo por autoridades ilegítimas cause que sejam marginalizados financeira e socialmente; mas temem que a obediência a tais autoridades ilegítimas causem sua morte existencial.

Passei muito tempo com pessoas que durante um momento em suas vidas tiveram pensamentos e comportamentos tão bizarros que se tornaram extremamente assustadores para seus familiares e até mesmo para si mesmos; eram diagnosticados com esquizofrenia e outras psicoses, mas se recuperaram completamente e têm por muitos anos levado vidas produtivas. Nessa população, não encontrei uma pessoa que não considerasse uma intensa anti-autoritária. Uma vez recuperados, eles aprenderam a canalizar seu anti-autoritarismo para fins políticos mais construtivos, incluindo a reforma do tratamento da saúde mental.

Muitos anti-autoritários que antes foram diagnosticados com doença mental me dizem que conforme eram rotulados com um diagnóstico psiquiátrico, entravam num dilema. Autoritários, por definição, demandam obediência inquestionável, e qualquer resistência a seu diagnóstico e tratamento criavam enorme ansiedade para profissionais autoritários da saúde mental; e profissionais, sentindo-se fora de controle, os rotulavam de “incompatíveis com o tratamento”, aumentando a severidade de seu diagnóstico, e aumentando suas medicações. Isso enfurecia tais anti-autoritários, às vezes ao ponto de reagirem de formas que pareciam ainda mais assustadores a seus familiares.

Há anti-autoritários que usam drogas psiquiátricas para ajudar suas funções, mas geralmente rejeitam as explicações de autoridades psiquiátricas para suas dificuldades de funcionamento. Então, por exemplo, eles podem tomar Adderall (uma anfetamina prescrita para TDDAH), mas sabem que seu problema de atenção não é resultado de desequilíbrio bioquímico no cérebro, mas causado por seu emprego tedioso. E similarmente, muitos anti-autoritários em ambientes altamente estressantes ocasionalmente tomarão benzodiazepinas como Xanax, apesar de acreditarem que seria mais seguro usar ocasionalmente maconha, mas não podem por causa de exames toxicológicos em seus empregos.

Em minha experiência, muitos anti-autoritários rotulados com diagnósticos psiquiátricos geralmente não rejeitam todas as autoridades, simplesmente aquelas que avaliaram como ilegítimas, como calham de ser várias das autoridades na sociedade.

Mantendo o status quo da sociedade

Americanos tem sido cada vez mais socializados a igualar inatenção, raiva, ansiedade e desespero paralisador com condições médicas e buscar tratamento médico em vez de remédios políticos. Que melhor forma de manter o status quo do que ver inatenção, raiva, ansiedade e depressão como problemas bioquímicos dos doentes mentais do que reações normais a uma sociedade cada vez mais autoritária.

A realidade é que depressão é altamente associada com problemas financiais e sociais. Alguém é mais propensa a estar deprimida se está desempregada, subempregada, sob assistência pública ou devendo (para documentação, veja (400% Rise in Anti-Depressant Pill Use”). E crianças rotuladas com TDDAH são capazes de prestar atenção quando são pagas ou quando a atividade é uma novidade, as interessam ou é escolhida por elas mesmas (documentado em meu livro Commonsense Rebellion).

Numa idade das trevas prévia, monarquias autoritárias se juntavam a instituições religiosas autoritárias. Quando o mundo saiu de tal idade das trevas e entraram no Iluminismo, houve um surto de energia. Muito dessa revitalização teve a ver com se arriscar ao ceticismo sobre instituições autoritárias e corruptas e recobrar confiança na própria mente. Estamos agora numa outra idade das trevas, apenas as instituições mudaram. Americanos desesperadamente precisam de anti-autoritários para questionar, desafiar e resistir a novas autoridades ilegítimas e recobrar confiança no seu próprio senso comum.

Em cada geração haverá autoritários e anti-autoritários. Embora seja inusitado na história americana que anti-autoritários tomem iniciativa do tipo de ação eficiente que inspire outros a se revoltarem com sucesso, vez ou outra um Tom Paine, Crazy Horse ou Malcolm X surge. Portanto autoritários marginalizam financeiramente aqueles que resistem ao sistema, criminalizam anti-autoritários, psicopatologizam anti-autoritários e vendem drogas para sua “cura”.

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Retirado: Anarkomidia


A Escola é Nossa!

10 meses, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

 Veja como essa matéria saiu na versão impressa em PDF

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A Escola é Nossa! 

 

Mais um ataque à liberdade dos quilombos do Recôncavo! Os moradores da comunidade quilombola do Porto da Pedra foram surpreendidos com um comunicado extra-oficial da Prefeitura de Maragogipe de que a Escola Municipal Vereador Justiniano Machado, que atende crianças da pré-escola ao ensino fundamental I na própria comunidade, não funcionará este ano.

 

 

 

                                   Escola

 

Segundo a quilombola Chirlene Pereira, 28 anos, moradora do Porto da Pedra, a escola é antiga e funciona há pelo menos 20 anos. Como ex-aluna da escola, relata o constante processo de sucateamento e precarização do ensino: 

 

“A escola, apesar de receber recurso diferenciado por ser quilombola, passou por diversos problemas que fez com que muitas mães tirassem seus filhos de lá, mas principalmente os mais velhos. Os mais novos continuaram. Principalmente por conta de defasagem do ensino, por não haver transporte da prefeitura na comunidade, que tem uma extensão territorial muito grande e as casas são muito distantes umas das  outras... as mães que moravam mais perto da pista preferiram então botar seus filhos em outras escolas de outras localidades, como em São Roque, Capanema ou na sede de Maragogipe. Mas lá dentro mesmo este ano só ficaram matriculados 10 alunos. Tem um número bem maior, bem maior mesmo. Mas pela falta de qualidade da escola, da defasagem do ensino, muitas mães optaram por tirar os alunos da comunidade”

 

A quilombola Adriele Calheiros, 23 anos, quando questionada pelo Café Preto sobre a importância do funcionamento das escolas dentro dos territórios quilombolas, nos responde sem hesitar:

 

“Manter as crianças no território é essencial para a garantia da identidade cultural da comunidade. Então tirá-las de lá seria um turbilhão de informações desnecessárias para elas neste momento de formação de identidade com o seu território. Temos que mostrar que a opção pela permanência em nossos territórios não é atraso para nós, nem para o governo. Só queremos crescer e viver onde todos os nossos ancestrais viveram e morreram na luta por cada um de nós”

 

Pela falta de qualidade da
escola, da defasagem do
ensino, muitas mães optaram por tirar os alunos da
comunidade

 

Perguntamos também quais seriam as outras dificuldades enfrentadas pelos estudantes caso a escola do Porto da Pedra permaneça fechada e estes tenham que estudar em áreas mais urbanizadas, como Capanema, São Roque ou na sede de Maragogipe

 

“Em tempos de chuva as crianças vão ter que ir caminhando até a pista para o carro não atolar. Tem também um certo preconceito por serem da zona rural, que vão ser chamado de “da roça”. Falo isso porque já passei quando eu tive que sair de minha comunidade pra estudar na cidade e o ensino que não é pra nós quilombolas. É muito
difícil no começo estabelecer relações de amizade e afeto. Eu ia muito ao banheiro para sair da sala de aula. Na cidade, na 8º série, já dava aula de inglês e algumas coisas de física e química. E quando eu cheguei perguntavam logo: lembra do que aconteceu no ano passado? Que a gente estudou tal assunto? E eu nunca tinha entendido. Então eu tive muita dificuldade pra passar em algumas matérias porque a gente nunca teve nada parecido ou que passasse perto daquelas matérias”.

Nesta interação conflituosa entre dois modos de vida distintos, a perspectiva da lida cotidiana com os saberes tradicionais quilombolas buscando acolhimento num ambiente urbano onde impera uma lógica de crescimento a qualquer custo, há um sutil e internalizado sentimento de solidão e deslocamento, muito vivo nas
palavras de Adriele: 

 

“Era muito difícil fazer amizade porque os assuntos não eram os mesmos. Ah! Na rua tal que tem não sei quantos postes, tu sabe onde é? E eu não sabia. Na minha comunidade não tinha nem energia. Então era uma coisa desproporcional e ainda mais... tinha o problema... como eu não sabia alguns assuntos da escola, então como eu ia me encaixar em algum grupo pra fazer um trabalho para fazer amizade se eu não sabia? Aí era muito difícil também essa questão de amizade. Porque todo mundo queria em seus grupos quem que sabia do assunto para facilitar. E aí eu e algumas pessoas de lá que não sabia a gente ficava mais no canto, esperando a professora dizer então vai você pra aquele e você pra aquele outro grupo. Foi e é difícil. O primeiro ano então é muito difícil. O primeiro ano é realmente muito difícil”

 

Perguntamos a Adriele se no seu entendimento o deslocamento definitivo para a cidade, a adoção do modo de vida urbano e o abandono da lida na roça, na pesca e mariscagem tem realmente trazido melhoria na qualidade de vida e trabalho destes quilombolas. A resposta foi taxativa:

 

“Não! As meninas estão sempre trabalhando em casas como domésticas ou babá, e os meninos fazendo qualquer tipo de bico que aparece”

 

Só queremos crescer e viver
onde todos os nossos
ancestrais viveram e
morreram na luta por cada
um de nós.

 

 

A atitude irresponsável da Prefeitura de Maragogipe em comunicar o fechamento da escola, mesmo depois da matrícula dos alunos, revela qual foi o histórico papel desempenhado pelos governos diante da luta quilombola: o de relegar os povos e comunidades tradicionais à sorte das mazelas que criaram em séculos de opressão. O progressivo sucateamento da escola e o seu fechamento final sela o destino dos estudantes do quilombo, obrigando-os a enfrentar as dificuldades de se estudar fora de seu território ou até mesmo a abandonar a escola formal.

 

Queremos a escola
funcionando, uma
verdadeira escola
quilombola no Porto da
Pedra!

 

Os problemas da política de Educação Quilombola, criada pelo Ministério da Educação, são bem conhecidos. Entrevistamos uma cientista social da Universidade Federal do Recôncavo Baiano – UFRB, que preferiu não se identificar, especialista em analisar a implementação das escolas quilombolas em Maragogipe, e recebemos uma aula sobre o assunto.

 

“Tenho acompanhado esta discussão. Inclusive, há alunos que estão se matriculando em cidades vizinhas. É o velho racismo institucional, o descaso das instituições públicas com a população negra e pobre, e, nesse caso, quilombola. O poder municipal nunca voltou os olhos para as comunidades tradicionais. Há uma completa ignorância por parte da secretaria de educação do município quanto à existência das escolas em comunidades quilombolas, principalmente porque eles nem sabem o que de fato significa um quilombo. E esta ignorância é proposital: quando não se sabe o que é, se exclui... O fechamento é só a ponta do iceberg de um processo de precarização e abandono.”

 

Pedimos à pesquisadora que nos desse alguns exemplos da falta de implementação desta política de educação quilombola. Citou então o caso da escola do Quilombo da Salamina-Putumuju, situada também no município de Maragogipe.

 

"É uma escola quilombola, mas não tem material didático específico. Os professores que lá lecionam não são da comunidade. Não há atenção devida da secretaria. Pouco se sabe sobre comunidades quilombolas na Secretaria de Educação Muna verdade, folcloriza toda um história de resistência. Onde fica o diálogo com comunidade? Com os líderes comunitários? Com o saber tradicional? Onde fica o trabalho de pesquisa da instituição para estabelecer um processo de ensino-aprendizagem que envolve as minúcias da história negra no Brasil e da história de formação dos próprios quilombos? A comunidade não entra na escola, a não ser em reuniões de pais e mestres... O quê se vê é um pacote pronto de conteúdos recheados do que se chama de "saber oficial", no qual se reforça os não-lugares, o racismo e os descaso com a população negra quilombola”.

 

Chirlene Pereira nos traz problemas similares demonstrados pela pesquisadora. Reivindica junto com toda a comunidade quilombola o funcionamento imediato da escola no Porto da Pedra e adiciona ainda como reivindicações urgentes a alocação de professores locais capacitados para tratar da questão quilombola e a reforma da estrutura da escola, que apresenta pisos e telhados quebrados com risco de causar acidentes com as crianças. As aulas são também conduzidas juntando todas as turmas, de diferentes idades, com um único professor, dificultando a aplicação de uma pedagogia adequada para as diferentes faixas etárias.

Nas palavras de Chirlene, vemos que o quilombo é categórico em sua reivindicação: “queremos a escola funcionando, uma verdadeira escola quilombola no Porto da Pedra”! E Adriele complementa: “o quilombo é nosso, nenhum direito a menos! Avante quilombolas!”.

 

 



Maloca Libertária - pelas ruas do Pelourinho!

aproximadamente 1 ano, por Bruno M. - 0sem comentários ainda

 Confira aqui a versão para impressão em pdf!

Maloca

Caminhando pelas ruas do Pelourinho na cidade de Salvador, encontramos entre os casarões que ali existem uma sacada de onde aponta uma bandeira vermelha e negra. Ao contrário do que se poderia pensar, essa bandeira não tem nada a ver com um time de futebol, mas sim com uma trajetória que remete a organização, resistência, conhecimento e liberdade. Essa bandeira faz alusão à luta dos anarquistas. É assim que, mais especificamente na Rua do Passo, que reside uma maloca, nome referente à casa de indígenas e aos casebres das periferias, mas uma maloca bem peculiar: a Maloca Libertária!

A Maloca Libertária é um Centro de Cultura Social que busca agregar diferentes atividades que possam fomentar e fortalecer relações entre grupos e sujeitos libertários. Além de possuir uma biblioteca com foco em livros, revistas, entre outros materiais de conteúdo libertários, que pode ser utilizada por qualquer pessoa, conta com um espaço disponível para realização de diversas atividades que vão desde discussões, grupos de estudos a realização de exercícios corporais. E como não podia deixar de acontecer, o Café Preto realizou uma entrevista com a galera pra saber um pouco sobre a trajetória do espaço e instigar quem não conhece a dar uma visitada ou acompanhar as atividades. 

 

 Bandeira maloca

 Quer saber onde fica a Maloca Libertária? Vai na rua do Passo, nº 37, Pelourinho... Olha pra cima que logo logo verá essa linda bandeira!

 

Café-Preto: Como surgiu a Maloca?

A Maloca Libertária surge de algumas discussões que se iniciaram após as manifestações de junho de 2013, com relação a organização dos anarquistas para lutas mais duradoras do que somente em eventos pontuais. Em meados de 2014 um grupo de anarquistas, que se juntou a partir daquelas discussões, começa a se encontrar e elaborar um documento para onde convergiria a vontade de todos que viam a necessidade de um espaço próprio para trabalhar e disseminar os ideais anarquistas, com base na ação direta, autogestão e solidariedade. Enfim, em janeiro de 2015, foi concretizada a abertura do espaço, que tomou o nome de Maloca, em homenagem aos explorados povos indígenas de ontem e de hoje.

  

 Cria  o       Inaugura  o maloca       Festa maloca

À esquerda, cartaz de divulgação da última reunião anterior à fundação da Maloca. As demais imagens são registros do evento de inauguração denominado "Samba, Suor e Barricadas", que ocorreu na Cooperativa Rango Vegan, contando com a presença de diversas e diversos anarquistas e simpatizantes.

 

  Reforma maloca      Eduardo maloca

Reforma do Centro de Cultura Social Maloca Libertária, realizado através de mutirões, vaquinhas, muito trabalho e cooperação. À esquerda, primeiro dia de pintura da Maloca. À direita, Eduardo Nunes, escritor e membro do jornal anarquista baiano Inimigos do Rei e ministrante do curso de Filosofia e Sociologia do Anarquismo na Maloca Libertária.

 

Café-Preto: Quais são as atividades que acontecem no espaço?

Reuniões de diversos tipos costumam tomar corpo no espaço da Maloca, algumas pensadas pelo coletivo gestor do espaço, outras dando a possibilidade de concretizar encontros de coletivos simpáticos a nossos princípios e forma de organização, e ainda eventos de vários tipos, desde oficinas a exposições, conferências, coisa e tal. Nesse período de dois anos em que o espaço vem funcionando, as atividades variaram um bocado; já aconteceram aulas de aikidô, capoeira, oficinas, grupos de estudo, rodas de conversa... Estamos sempre no exercício de cultivar contatos férteis entre visões de mundo e ideias diferentes, que consigam se renovar através das experiências e do convívio. Atualmente, existem algumas atividades organizadas pela Maloca, como o grupo de estudos sobre anarquismo e Foucault, a oficina de cinema e anarquia, que acontecem quinzenalmente, e buscam maneiras novas de lidar com certos conhecimentos e possibilidades atreladas a essas referências; a ciranda e a assembleia do espaço, uma vez no mês, que costumam reunir todxs xs integrantes do grupo, tanto para uma atividade de formato variável como é a ciranda, quanto para a discussão de questões internas do espaço, que acontece na assembleia; além dos plantões durante a semana, que mantêm funcionando a biblioteca para todxs que quiserem conhecer o espaço e acervo, podendo pegar livros emprestados ou ler lá mesmo! Todas as atividades são abertas a quem se interessar.

  

 Mulheres maloca

 Oficina sobre apoio mútuo, autodefesa e confecção de absorventes com mulheres no Centro de Cultura Social Maloca Libertária.

 

Seu antonio liper   maloca

Ciranda de conversas: evento que ocorre aos domingos, quando anarquistas de todos os lugares do mundo comparecem à Maloca para um bate papo informal e descontraído sobre suas trajetórias, experiências e atuações. À esquerda, Sr. Antônio Mendes, mestre das plantas medicinais e da militância campesina, agricultor e sindicalista, fundador do Instituto Socioambiental de Valéria (ISVA) e da Biblioteca Comunitária José Oiticica, falecido em 2015. À direita, Ricardo Líper, escritor e membro do jornal anarquista baiano Inimigos do Rei, atualmente ministrante de curso sobre Anarquismo e Foucault na Maloca Libertária.

 

Café-Preto: Como se dá a organização do coletivo e a viabilidade dessas atividades?

A proposta anti-poder da Maloca Libertária é bastante visível na questão de se entender o posicionamento do próximo, mesmo em opiniões e práticas divergentes. Não há um líder conduzindo as atividades mas sim o senso de dever contra toda forma de opressão vigente; aprendemos a nos desatar das amarras do Estado, Igreja e sociedade, procurando formas alternativas de vivência que venham a ser menos ou nem um pouco prejudiciais ao bem estar humano: as mais variadas vertentes do anarquismo e algumas do esquerdismo socialista entram em debates sem que haja a falta de respeito tão comum nos meios sociais e políticos. O espaço é mantido principalmente através de doações voluntárias, mas também vendemos livros, agendas, adesivos, e estamos inclusive trabalhando para um dia, quem sabe breve, lançarmos nossos próprios livros, e deste modo criar uma chance de o espaço poder se manter “sozinho”, ao mesmo tempo se intensificando como lugar de estímulo ao contato, à criação e disseminação de conhecimentos, reflexões e memórias de uma cultura realmente atrelada ao social. Com um curso teórico sobre Foucault temos de ter o mesmo cuidado de planejamento e execução que uma oficina prática de fotografia, por exemplo. Mas, com certeza, alguns eventos ficam mais na memória afetiva, como aqueles em que participou o nosso querido amigo Antonio Mendes, falecido no ano de 2015, com 79 anos de idade (boa parte deles como anarquista). É impossível esquecer de sua participação desde o início das atividades na Maloca, como convidado da primeira Ciranda de Conversa Anarquista, ou nos Grupos de Estudos sobre Sindicalismo e aquele Grupo em que tentamos compreender a Revolução Espanhola, e onde sua participação foi primordial.

 

Rojava maloca

Diretamente de Rojava para o Centro de Cultura Social Maloca Libertária. Apresentação de quem vivencia a realidade da revolução em Rojava, seguida de um intenso debate, esclarecimentos e fortalecimento das esperanças.

 

Ecologia social

Primeiro encontro do Círculo de Estudos sobre Ecologia Social e Educação Libertária, no Centro de Cultura Social Maloca Libertária.

 

Ficou interessad@? Acompanhe no site da Maloca, nas redes sociais ou neste link a programação do mês. Compareça às atividades, aproveite a biblioteca, tire suas dúvidas, estude, debata, troque experiências e, principalmente, organize-se e lute! A Maloca Libertária estará sempre aberta também para propsições de eventos ou atividades afins às ideias libertárias! O que está esperando?

 

 Index

 CENTRO DE CULTURA SOCIAL MALOCA LIBERTÁRIA

Endereço: Rua do Passo, 37 – Pelourinho, Salvador-BA

Site: https://malocalibertaria.wordpress.com

Facebook: https://www.facebook.com/malocalibertaria/

Email: secretariaccs@riseup.net

Catálogo da Biblioteca: clique aqui!

 

Confira alguns vídeos do CAFÉ PRETO da 1º Feira do Livro Anarquista em Salvador:

Divulgação da Feira do Livro Anarquista

Debate: Anarquismo e Novos Movimentos (com Prof. Sérgio Norte)

 



Dois Enganos Sobre o Anarquismo

aproximadamente 1 ano, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

 Veja como essa matéria saiu na versão impressa aqui no PDF

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                        Dois enganos sobre o anarquismo   t tulo

  Por: Ricardo Líper

A liberdade não é dada, ela é
conquistada. Não é só fazer o
que se gosta, porque até
uma cama macia pode fazer
você ser escravo dela.

 

A palavra anarquismo sempre foi alvo de interpretações muito diversas. Na maioria das vezes, veio associada à ideia da ausência de ordem e da bagunça. Logo, os anarquistas seriam aqueles que eram contra todo tipo de ordem, moral, ética etc. Mas a realidade que vemos é outra. O que vemos é que o anarquismo e os anarquistas propõem o oposto disso. A bagunça, a desordem, a falta de respeito ao outro e, portanto, nenhum tipo de ética, tendem a ocorrer quando não existe o anarquismo e os anarquistas.Desorganização, sob a ilusão de organização pelo terror, foi o nazismo, fascismo, stalinismo e, atualmente, são as Coreias e outros países como o nosso. A organização da corrupção e da miséria. Se lermos os escritores anarquistas mais conhecidos como Bakunin, Kopotkin, Malatesta, Emma Goldman e muitos outros, o que vamos encontrar é uma defesa sistemática da liberdade. A rejeição de qualquer dominação, sob qualquer pretexto, do homem pelo homem. Para efetuar e garantir essa liberdade, aquele que é anarquista deve passar pela importante transformação de praticar uma ética pessoal rigorosa. A liberdade de si não é só não ser escravo de outro, é também não ser escravo de si mesmo. E o que é ser escravo de si mesmo?

 

Se lermos os escritores
anarquistas mais conhecidos
o que vamos encontrar é uma
defesa sistemática da
liberdade.

 

A liberdade não é dada, ela é conquistada. E para se conquistar a liberdade é necessário se autogerir. Não é só fazer o que se gosta, porque até uma cama macia pode fazer você ser escravo dela. O mais importante não é só não ser escravo dos outros, mas também não ser escravo de si mesmo. Pior ainda é ser escravo das coisas através de si. Esse aprofundamento do anarquismo é que forma de fato o anarquista. Ser anarquista é saber ser livre dos dominadores, da natureza (quando ela é hostil) e de si mesmo, para não cair nas armadilhas das coisas. Pode ser desde uma cama macia, uma preguiça momentânea e até ser dominado pelo açúcar, sal, álcool, alimentos etc. Não é só a natureza. O homem descobre e cria, também para explorar o outro, todo tipo de coisas que ficam conspirando a cada minuto para fisgá-lo, como peixes, para possuí-lo e dominá-lo.

 

 

                                                                                             Dois enganos  tirirnha

  

Por isso a autoeducação libertária sempre foi tão importante para os anarquistas. Aprender a autogerir-se sendo o mestre e chefe de si mesmo. Isto não é muito fácil nem muito agradável. Até o açúcar e o sal podem se tornar nossos senhores. Não precisa ser um Hitler ou Mussolini, podem ser meros condimentos de cozinha. E aí talvez você me diga, mas e os prazeres de viver? O supremo prazer de viver é exatamente ser livre em relação ao açúcar, o sal e todo tipo de coisa que invada você o escravizando. E não podemos mais nem comer sal e açúcar? Podemos, se os ingerir quando quiser e não sentir falta deles. Isso porque treinou e lutou, como luta contra as injustiças sociais e quem lhe domina. Por incrível que pareça, o que pode dar o maior prazer é quando você diz: eu me governo. E quem se governa em geral vence.

 

Devido a isto, o anarquista deve ser inicialmente auto em tudo, porque é ele que determina a partir da autodisciplina, autodidatismo, autocontrole emocional e estratégia nas suas ações, a sua autogestão. Não entendam errado. Autodidata não é não ir às escolas ou universidades. Autodidata é ter autodisciplina para estudar por si. As escolas não anarquistas são autoritárias e você sendo disciplinado, emocionalmente controlado e estratégico, as atravessa e adquire os diplomas. Mas se ficar só nelas, fica ignorante porque quase todas nada ensinam. O diploma é uma convenção como a carteira de identidade. O resto você vai aprender por você mesmo e nos espaços libertários como bibliotecas comunitárias ou centros de cultura.

 

Através da organização
social horizontal e livre de
relações de dominação, é
possível a vida em sociedade
de forma coletiva e
igualitária.

 

A filosofia foi, em grande parte, a busca dessa autodisciplina. A ideia de se controlar os medos e desejos de maneira que o estado de prazer seja estável e equilibrado, com um consequente estado de tranquilidade e de ausência de perturbação é uma teoria filosófica grega conhecida como Epicurismo. Já a ideia de que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento e, portanto, seria virtuoso manter uma vontade que está de acordo com a natureza é conhecida como o Estoicismo. O anarquista Han Hyner acreditava que a liberdade política anarquista levaria ao Estoicismo.

 

 

                                                                                                    Dois enganos   imagem

 

Como podemos ver, o anarquismo em sua passagem ao longo da história se mostra muito mais como uma ideologia centrada na defesa da liberdade coletiva e individual, do que na desordem e na bagunça. Através da organização social horizontal e livre de relações de dominação, é possível a vida em sociedade de forma coletiva e igualitária. Já através do autoconhecimento e da autogestão o individuo pode assumir controle da sua própria vida, se libertando das dominações externas e das que estão dentro de si mesmo.

 

 

                                          Dois enganos   indica  es

 

 

 



Sentimentos em Decibéis: a produção de música na periferia.

aproximadamente 1 ano, por anarcksattack - 0sem comentários ainda

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                                   Sentimentos em decibeis

 

Quando se trafega por um dos maiores bairros da América Latina a sensação não poderia ser outra, vertigem! ! ! Em Cajazeiras bem vale a máxima “cada quebrada um mundo, cada mundo uma realidade”.  No comércio popular quase tudo se encontra, por sua vez, nas praças, esquinas e em diversos espaços improvisados vemos estampados as manifestações viscerais da rotina vivida. Da ameaça constante de uma abordagem truculenta da polícia às vozes dos ativistas que não se calam frente as injustiças, tá tudo aqui! Nesse fluxo urbano, o Café-Preto foi parar nos estúdios da produtora Kza da Véa para um bate-papo com Ojuara das Beats, produtor musical responsável pelos processos de gravação, masterização, mixagem e mais uma pá de coisa. É assim que logo no início da nossa conversa Ojuara relata o poder que a música tem na sua vida como produtor.


Ojuara das Beats: A música faz parte da vida do ser humano de uma forma muito complexa, eu já li muitas coisas e entre estas nunca vi nada que explicasse de fato este poder. Pra mim produção musical é materializar em decibéis todos os meus sentimentos, tudo aquilo que eu não consigo falar de forma natural. Existem coisas na vida que as palavras não conseguem explicar e às vezes a emissão de um som demonstra muito mais. 

 

Instigado por esta visão apontada por ele perguntamos: como é viver de música na periferia?


Ojuara das Beats: Tive que abrir mão de muita coisa pra hoje estar produzindo no Kza da Véa. Quantas vezes já não me perguntei, “eu tenho talento, a galeria elogia meu trabalho e porque eu não tô lá no topo também?” E as vezes a música não tá ali pra você viver dela, mas pra você usá-la, falar pra outras pessoas o que em uma conversa normal elas não conseguiriam chegar. Dentro da periferia, hoje, a gente tem uma carência muito grande de um polo cultural. Geralmente o que tem aqui dentro é uma própria manifestação periférica, o nosso governo investe lá pelo centro, Pelourinho, Rio Vermelho... Então o acesso se torna maior pra galera que mora lá, mas e os moleques que moram aqui na periferia?


Café Preto: E aí? como é que faz?


Ojuara das Beats: Eu, manifestante da periferia,como posso ajudar essa galera que sonha que nem eu? Porque meu governo não ajuda, eu também não quero cobrar eles, não tô nem aí pra o que eles vão fazer. Se eles não fazem, a gente faz, tem que fazer, e o que eu fiz? Eu peguei meu talento e minha disposição pra trabalhar e fui convidando os manos pra colar aqui no Kza.


Café Preto: E o lance dos instrumentos e equipamentos como é que fica?


Ojuara das Beats: Não é a aparelhagem que faz a música, que vai fazer a produtora, é o quanto de conhecimento e criatividade que você tem. É preciso ver todo o equipamento como uma ferramenta, não como a solução perfeita dos seus problemas. Toda sua técnica, talento, musicalidade não pode se resumir a um instrumento mais caro.Então, a música tá no equipamento ou está em você?

 

Logo kza da vea Curtiu, queria mais? Acompanhe mais dos conteúdos do Kzadavea no seu canal de vídeos: Kzadavea Rec 

 

 

Img ojuara

 

 



Reforma na Previdência

aproximadamente 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

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 Reforma na Previdência

Previdencia

Atualmente encontra-se em pauta no congresso nacional a tão polemica reforma na previdência social. A pauta deve ser votada ainda no ano de 2017, mas a pergunta que ainda fica no ar é: qual a  necessidade de se fazer uma reforma no sistema previdenciário brasileiro? Existem muito argumentos e dados sendo apresentados que muitas vezes realmente nos levam a crer que essa reforma é necessária. Mas será que podemos confiar cegamente nessas informações? A partir de uma análise mais cautelosa, o que veremos aqui é que todo esse alarde mais parece uma grande encenação baseada em dados e avaliações superficiais com o objetivo de garantir a manutenção  dos lucros do capital financeiro em detrimento  dos direitos trabalhistas da população brasileira.

Antes de mais nada, precisamos saber em que consiste na prática essa reforma. Entre suas principais medidas constam: aumento da idade mínima de 60 anos para os homens e 55 para as mulheres, para 65 para homens e 62 para mulheres; aumento da necessidade do tempo de contribuição para 40 anos para ter acesso a 100% do benefício; fim da regra de aposentadoria por idade de 85 anos para mulheres e 95 anos para homens; revogação das regras especiais de aposentadoria dos professores do ensino médio e fundamental; proibição de acumulação de pensões e limitação de até 50% do valor integral; fim da aposentadoria rural apenas por idade. De antemão já podemos ver que o número de cortes e prejuízos nos direitos previdenciários são gigantes. Além do aumento da idade mínima e do tempo mínimo de contribuição para se aposentar que é algo que afeta a todos os segmentos de trabalhadores, a reforma visa precarizar ainda mais os professores e trabalhadores rurais. Com tantos cortes, a impressão que nos é passada é de que realmente a previdência representa um grande gasto para o Estado. Agora porque esse custo é tão grande?

Existem muito dados sendo apresentados nos levando a crer que essa reforma é necessária. Mas será que podemos confiar cegamente nessas informações?

A versão apresentada pelo atual governo em relação ao problema da previdência é a que segue: como a expectativa de vida segue aumentando e a taxa de fecundidade vem reduzindo, as projeções demográficas apontam para um envelhecimento da população. Em outras palavras, as pessoas vivem mais e tem menos filhos, e isso tenderá a continuar por muito tempo. Como a população jovem está diminuindo, o número de pessoas em idade ativa contribuindo será menor, portanto as receitas também serão cada vez menores. Ao mesmo tempo, como as pessoas vivem mais, mais tempo elas passarão recebendo benefícios do governo, encarecendo o sistema das aposentadorias.


Com base nessa justificativa que parece realmente fazer sentido é que vem escondida uma armadilha bem arquitetada: a narrativa dominante assume uma concepção propositalmente equivocada de relação entre receita e despesas da previdência, afirmando com isso que já existe um enorme déficit na Previdência no Brasil de algo em torno de R$ 182 bilhões, como previsto para 2017. Esse então seria o tão conhecido “rombo na previdência” que é apresentado como o principal problema das contas públicas do governo. Porém, se cavarmos um pouco mais fundo nessas contas, notamos que não é preciso ser nenhum perito em matemática pra perceber que existe algo muito errado nesse valor.

O problema é que a cifra desse déficit segundo a narrativa convencional não considera todas as receitas atribuídas à Previdência pela Constituição de 1988. A contabilidade feita pelos defensores do mainstream economics leva apenas em consideração o resultado primário do governo, contabilizando somente as receitas com Imposto de Renda e ignora outros impostos indiretos que financiam o Estado. Entretanto ao apresentar o passivo da previdência, eles consideram todas as despesas de forma integral. O resultado dessa contabilidade feita de forma intencionalmente equivocada, naturalmente, propicia a geração de um déficit substancial da previdência.

Se cavarmos um pouco mais fundo nessas contas, notamos que não é preciso ser nenhum perito em matemática pra perceber que existe algo muito errado nesse valor.

Para não deixarmos pontas soltas, especialmente se tratando de um tema tão importante como o da previdência, precisamos pontuar que esses dados não são opiniões de ninguém, mas sim fatos de ordem jurídica e conceitual sobre a previdência, descritos na Constituição brasileira de 1988. Do ponto de vista da receita da previdência, a Constituição de 1988 estabelece, no seu artigo 195, que o regime de Seguridade Social (definido como previdência, saúde e assistência social) será financiado por meio da contribuição ao INSS, pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Isso significa que a receita com CSLL e COFINS deverá ser distribuída entre essas 3 rubricas de despesas. No entanto, o que acontece no cálculo convencional apresentado pelos defensores da reforma da previdência nos grandes meios de comunicação e pelo próprio governo, é que só é levado em consideração as receitas provenientes das contribuições para o INSS, ignorando as demais receitas provenientes do CSLL e do COFFINS e criando assim um “rombo” de mentira.

 

Figura previdencia
Figura 1

 Agora por que essa tramoia vêm sendo feita somente agora e se a previdência é tão custosa, por que que medidas para conter esses gastos não foram tomadas antes? A resposta pra essa pergunta envolve diversos fatores, muitos até desconhecidos para nós. Porém, um dado interessante de observarmos é o gráfico que mostra o crescimento das dívidas da previdência, pessoal e de encargos sociais e do juros da dívida interna mostrada na figura 1. Nesse gráfico, podemos ver que a despesa previdenciária aumentou muito pouco nos últimos 10 anos, logo as receitas estabelecidas na constituição para seu financiamento não poderiam de uma hora para para outra deixar de ser suficiente. Por outro lado, os gastos com juros da divida interna praticamente dobraram em pouquíssimo tempo. Ainda assim,  o lucro do capital financeiro é o único gasto do governo que não vai sofrer nenhum tipo de ajuste!

Vamos deixar claro que estamos atentos a essas manobras que o Estado e as corporações tentam nos enfiar goela a baixo, ainda mais quando se tratam de um ataque direto a direitos trabalhistas conquistados ao longo de anos de luta, suor, sangue e resistência. Não vamos engolir esses“migués” e iremos bater de frente sempre que necessário para garantir os nossos direitos.


Cairo Costa



DOS SENHORES DE ENGENHO AOS FAZENDEIROS DO EUCALIPTO

aproximadamente 1 ano, por Bruno M. - 1Um comentário

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Titulo1

 

A marisqueira e quilombola M. G. , 68 anos, senhora forte, mãos calejadas da lida na roça e pés cortados de pisar em ostras, acorda em sua pequena casa de taipa, onde criou sozinha suas duas filhas e onde morou sua mãe, a sua avó e ainda sua bisavó. Em seu fogão a lenha, ajeita uma pequena ruma de madeiras secas de mangue e as acende pacientemente à medida que põe um caneco de metal cheio d’água para ferver. Enquanto prepara o café preto de todo dia, percebe o ronco diferente de motores que se aproximam. Lentamente, vai até a soleira da porta e dá um bom dia a todos os mais de dez homens que a olham com desprezo de seus carros. São quatro camionetes prateadas que cercam a sua casa às cinco da manhã. O que a casa da senhora faz aqui? – pergunta um deles.

 

Cenas assim são comuns no Recôncavo, onde a monocultura do eucalipto invadiu de forma violenta os territórios tradicionais, expulsando quilombolas e extrativistas de suas terras e gerando danos graves à saúde, ao meio ambiente e aos modos de vida destas populações. Mas o que se vê nas propagandas oficiais é o slogan “negócios sustentáveis de florestas plantadas”.

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O plantio em massa de eucaliptos no Brasil teve início com a produção de carvão e ligas para o setor férreo no início do século XX. Foi no governo de Getúlio Vargas, na década de 1940, que a celulose começou a ser produzida comercialmente. A partir daí, de governo em governo, de Juscelino a ditaduras militares, passando por tucanos e petistas, a política continuou a mesma: incentivos fiscais às indústrias de celulose, facilidades no licenciamento ambiental, falcatruas para expansão dos negócios e genocídio das populações do campo, geralmente indígenas e povo preto. E no Recôncavo baiano não foi diferente.

 

“Desde que o atual dono da Fazenda chegou as coisas ficaram muito ruins, há mais ou menos dez anos ele chegou, cercou o caminho que a gente usava para mariscar, que a gente usava para pegar ônibus na estrada pra estudar. Ele expulsou mais ou menos 20 famílias dizendo que as terras eram dele.” – marisqueira e quilombola.


Na comunidade quilombola do Guaí, por exemplo, houve a instalação de inúmeras fazendas de eucalipto sem consulta pública à comunidade, o que é exigido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. Estes fazendeiros arrendaram então suas terras para um grande e único negócio da empresa Bahia Specialty Cellulose/Copener (BSC-COPENER), ocupando uma área do tamanho de quase 200 campos de futebol no interior do quilombo.

 

Os fazendeiros expulsaram tambem diversas famílias de suas casas, forçando-as a abandonar seus lares e a se instalar em outras localidades mais difíceis de acessar, plantar ou obter água.

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Segundo entrevistados pela equipe do Café Preto, os fazendeiros de eucalipto confinaram diversos moradores do quilombo a um espaço muito pequeno, forçando-os a formar uma espécie de "pequena favela", sem quintais para manterem suas atividades tradicionais, como o cultivo da mandioca, do aipim, hortaliças, dentre outras.

 

Diante da resistência e reação quilombola, os coronéis do eucalipto se organizaram em uma espécie de sindicato e prometem retaliar! Suas reuniões ocorrem dentro do próprio quilombo e é prática comum invadirem reuniões da comunidade.

 

“Esse fazendeiro desmatou tudo quando chegou, a gente usava o caminho dentro da mata para chegar na maré, depois disso ele tirou a gente da nossa terra, a gente tinha casa levantada, roça, casa de farinha, jogou a gente tudo do lado de cá da pista, nem passar pra pescar a gente podia” – agricultor e pescador quilombola.

 

VenenoPara a monocultura do eucalipto no Guaí, diversos agrotóxicos pesados foram utilizados, como o Norton, classificado nas piores categorias de risco para a saúde humana e para o ambiente, contaminando o mar de onde extrativistas tiram seus peixes e mariscos, a água doce, os solos e lavouras. Na bula do agrotóxico é recomendado que o Norton não seja utilizado “em áreas situadas a uma distância inferior a 500 metros de povoação e de mananciais de captação de água para abastecimento público e de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas, agrupamentos de animais e vegetação suscetível a danos”. A contaminação do Quilombo fica evidente neste relato de um morador:

 

“O eucalipto não desenvolve a comunidade. E sabe o que é pior? Quando chove a água leva o veneno todo da plantação pra maré. Tá ruim para os homens que trabalham mais na roça e nas fazendas e pras mulheres que mariscam. Na fazenda mesmo, elas não vão mais mariscar, não tem mais nada lá, não tem mais mapé, marisco nenhum. A água do açude do Sinunga ninguém usa mais pra beber”.

 

Através de entrevistas e investigações de documentos públicos, descobrimos que o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA, o órgão estadual responsável por analisar a viabilidade ambiental dos plantios de eucalipto, dispensou os fazendeiros da necessidade de licenciamento, ou seja, deixou que estes se instalassem sem exigir que estudos de impactos fossem feitos. Sem estes estudos, é mais difícil obrigar os fazendeiros e a empresa a repararem os danos causados.

 

 E o absurdo não acaba por aí! A desculpa para dispensar as fazendas de eucalipto do licenciamento ambiental foi a de que as áreas de plantio eram pequenas. Na verdade, pegaram uma enorme área de eucalipto que beneficia uma única empresa, a BSC-COPENER, e fatiaram em pequenas fazendas, como se cada uma delas fosse um negócio independente, de baixo impacto ambiental, sem necessidade de licença. As análises do INEMA foram feitas a partir de cada pedacinho, para que essa desculpa de “pequenas áreas de plantio” pudesse ser dada. Verificando os nomes dos proprietários dessas fatias de terra, o Café Preto identificou que muitos possuem parentesco. De fatia em fatia, o quilombo do Guaí acabou engolindo o bolo inteiro, um bolo envenenado!

 

A luta contra a indústria do eucalipto revela conflitos entre distintos modos de vida: um que vê a terra como um mero objeto para se extorquir e lucrar e outro que percebe a terra como um lar, indispensável para a manutenção da vida e dos laços comuns. A história se repete há mais de 500 anos: mudam-se os ritos, mas não os planos. E o luto é presença certa nos mangues e quilombos, sejam eles rurais, como no Guaí, ou urbanos, como no Rio dos Macacos.


Após tantos anos, a resistência não muda de lado, não é ponto de fuga. É centelha incasável, labuta diária que enche o cofo do que dá, que encobre o corpo de lama, acolhimento farto para o alimento incerto de suas crianças.

 

Os fazendeiros se aproximam. A marisqueira e quilombola M.G, 68 anos, empunha o seu farracho como quem segura uma arma em tempos de guerra. Com uma força que resgata a luta de seus ancestrais enterrados ao fundo de sua casa, grita aos homens:

 

"Só saio daqui morta!"

 

Saiba mais:

As dispensas de licenciamento ambiental emitidas pelo INEMA mediante fracionamento do empreendimento da COPENER/BSC Celulose são as de nº 2013.001.001006, 2013.001.001004, 2012.001.000103, dispensa de licenciamento ambiental s/nº de 11 de abril de 2012 (Processo nº 2012-005261/TEC/DLA-0098, em nome da esposa do fazendeiro da dispensa anterior) e 2016.001 .040935, totalizando uma área de cerca de 300 hectares de plantio de eucalipto no interior do territorio quilombola. O nome de M.G. foi ocultado nesta materia para manter a segurança e integridade fisica da fonte. As iniciais do nome podem não ser verdadeiras. O Café Preto prima pela confiança e segurança de tod@s que contribuem para a construção do jornal. Os demais relatos foram cedidos por Carolina Sapucaia e disponibilizados em seu trabalho "QUANDO O EUCALIPTO CHEGA NA MARÉ: estudos sobre os impactos territoriais da monocultura de eucalipto nas comunidades quilombolas do Guaí – Maragojipe(BA)", ano de 2016, pelo curso de Geografia da Universidade Federal da Bahia.

 



Início do lançamento da terceira edição!

aproximadamente 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Quilombo faixa

Hoje começam os lançamentos semanais das matérias da terceira edição do Café Preto! E pra começar com o pé direito (ou o esquerdo, se você preferir!), o Café Preto traz uma matéria entrevistando os moradores do Quilombo Rio dos Macacos, uma comunidade quilombola conhecida pela sua trajetória de luta e resistência, mas também de solidariedade, cultura e conhecimento ancestral. Saboreie nesse copinho um pouquinho do dia-a-dia dessa comunidade, suas dificuldades e suas superações, com aquele gostinho caseiro que só café de casa tem!

 

Matéria: Terra, Água e Mata



O Café está de cara nova!

aproximadamente 1 ano, por Rodrigo Souto - 0sem comentários ainda

Depois de uma breve pausa para arrumar a casa e botar as pendências em dia, o Café Preto está de volta de cara nova! Além de uma modernização no layout e na identidade visual do site, fizemos também uma reorganização do conteúdo para tornar mais fácil o acesso daquelas e daqueles que fazem questão de saborear esse cafezinho direto da fonte.

Agora o nosso menu principal conta com os seguintes links:

  1. O Jornal: página com uma breve apresentação do jornal, perfeita para você enviar para os seus amigos que ainda não conhecem esse jornal descarado.
  2. Colunas: um menu para o acesso direto à todas as colunas do jornal. Assim você pode ir direto naquela coluna que você mais gosta.
  3. Impressos: página com todas as edições já publicadas do jornal em formato pdf para você rever, guardar e imprimir!
  4. Colabore: página com a descrição de como fortalecer o jornal, seja com grana, divulgação, trabalho e muito mais.
  5. Contato: informações para entrar em contato com a gente.

Cp impressos

Cp colunas

 

Nesse novo layout também demos um destaque maior para o Escalde o Plantão. Colocamos um botão bem grande e vermelho para você chegar e escaldar tudo! Queremos ouvir o que vocês tem a dizer!

 

Cp escalde

 

Por fim, criamos um banner dinâmico no cabeçalho da página que irá mostrar diversas imagens dos trabalhos realizados pelo Café Preto, trazendo assim todos os nossos amigos e parceiros que fizeram parte da nossa caminhada numa relação de solidariedade e apoio-mútuo para comporem a cara do jornal.

 

Cp cabe alho3

Cp cabe alho1

Cp cabe alho2

 

Esperamos que o novo site facilite o acesso e esquente mais ainda os nossos corações para acordarmos a cada dia mais prontos e mais fortes para a luta!

Beijos de toda a equipe do Café Preto!